Saiba como preservar a fertilidade antes, durante e após o tratamento

A incidência de câncer durante a gravidez é incomum. Entretanto, quando ocorrem, os tipos de câncer mais comumente diagnosticados em gestantes são: câncer de mama e de colo do útero, melanoma, leucemia e linfoma. Embora a leucemia seja o tipo de câncer mais comum em todo o mundo, a incidência exata atual durante a gestação não é bem conhecida. Estima-se que ela afete aproximadamente 1 em cada 10 mil gestações. A maioria dessas leucemias é aguda e predominantemente mieloide.

Uma das principais perguntas feitas pelas pacientes em idade reprodutiva que foram diagnosticadas com a doença é se quem tem leucemia pode engravidar. O texto abaixo discorre sobre esse assunto. Acompanhe.

O que é leucemia?

A leucemia é um câncer do sangue caracterizado pelo crescimento rápido de células sanguíneas anormais. Esse crescimento descontrolado ocorre na medula óssea, onde a maior parte do sangue é produzida. As células leucêmicas são geralmente glóbulos brancos imaturos (ainda em desenvolvimento).

Existem muitos tipos de leucemia. Alguns são mais comuns em crianças, enquanto outros são mais comuns em adultos. O tratamento depende do tipo de leucemia e de outros fatores.

Quem tem leucemia pode engravidar?

Antes de respondermos à pergunta sobre se quem tem leucemia pode engravidar, é importante entender como a doença é tratada e quais são seus efeitos na fertilidade.

Os tratamentos para leucemia dependem do tipo da doença, da idade e do estado geral de saúde do paciente, e se a leucemia se espalhou para outros órgãos ou tecidos.

Os tratamentos comuns geralmente incluem uma combinação de:

  • Quimioterapia: é a forma mais comum de tratamento da leucemia. Consiste no uso de substâncias químicas para destruir as células leucêmicas ou impedir sua multiplicação.
  • Imunoterapia (terapia biológica): esse tratamento utiliza certos medicamentos para fortalecer o sistema de defesa do corpo para combater a leucemia. A imunoterapia ajuda o sistema imunológico a identificar as células cancerígenas e a produzir mais células de defesa para combatê-las.
  • Terapia direcionada: esse tratamento utiliza medicamentos desenvolvidos para atacar partes específicas de uma célula leucêmica (como uma proteína ou um gene) que estão fazendo com que ela domine as células sanguíneas normais. As terapias direcionadas podem impedir a multiplicação das células leucêmicas, interromper o suprimento sanguíneo dessas células ou destruí-las diretamente. Exemplos de medicamentos para terapia direcionada incluem anticorpos monoclonais e inibidores da tirosina quinase.
  • Radioterapia: esse tipo de tratamento utiliza feixes de energia potentes ou raios X para destruir as células leucêmicas ou impedir seu crescimento. Durante o tratamento, um aparelho direciona a radiação para os locais exatos do corpo onde as células cancerígenas estão localizadas ou a distribui por todo o corpo.
  • Transplante de células hematopoiéticas (transplante de células-tronco ou de medula óssea): nesse tratamento, as células cancerosas formadoras de sangue, destruídas pela quimioterapia ou radioterapia, são substituídas por novas células hematopoiéticas saudáveis.
  • Terapia com células T com receptor de antígeno quimérico (CAR): esse é um tipo inovador de terapia que utiliza as células T do corpo (células T ou linfócitos T são um tipo de célula imunológica), as modifica geneticamente para combater células leucêmicas e as infunde de volta no organismo.

Todos esses tratamentos podem trazer bons resultados no combate à leucemia, mas também podem impactar a fertilidade feminina, gerando dúvidas sobre se quem tem leucemia pode engravidar.

Do ponto de vista clínico, quem tem leucemia pode engravidar apenas quando há avaliação cuidadosa dos riscos envolvidos, tanto para a mulher quanto para o bebê. Alguns tratamentos — principalmente a quimioterapia, a radioterapia e o transplante de medula óssea — podem afetar temporária ou permanentemente a fertilidade, o que torna o planejamento de sua preservação essencial, devendo ser feito em conjunto com uma clínica de Reprodução Humana Assistida.

Esses tratamentos podem causar alterações hormonais, interrupção do ciclo menstrual e redução da reserva ovariana dependendo da idade da paciente e do tipo e intensidade da terapia.

No primeiro trimestre, alguns tratamentos, especialmente a quimioterapia, apresentam maior risco de malformações fetais e, quando possível, podem ser adiados ou ajustados.

No segundo e terceiro trimestres, certos esquemas de quimioterapia podem ser utilizados com mais segurança, sempre avaliando riscos e benefícios. Já a radioterapia costuma ser evitada durante a gravidez devido ao alto risco para o feto. O uso dos inibidores da tirosina quinase requer uma avaliação minuciosa dos riscos e benefícios, dada a potencial toxicidade e os efeitos no desenvolvimento fetal.

É possível engravidar depois do tratamento de leucemia?

Durante terapias como quimioterapia ou radioterapia, geralmente não é recomendado engravidar. Ainda assim, muitas pacientes querem saber se quem tem leucemia pode engravidar após estabilizar a doença ou entrar em remissão.

Após o término do tratamento e um período de acompanhamento, diversas pessoas conseguem engravidar de forma espontânea ou com o apoio da Reprodução Assistida. Por isso, quem tem leucemia pode engravidar depois do tratamento, desde que haja liberação médica e monitoramento contínuo. Quando a gravidez espontânea não é possível ou quando a fertilidade foi comprometida pelo tratamento oncológico, a fertilização in vitro (FIV) pode ser uma das principais alternativas para quem deseja ter filhos. O tratamento pode utilizar óvulos ou embriões previamente criopreservados antes do início da quimioterapia ou da radioterapia, ou ainda ser planejado após a recuperação clínica, de acordo com a avaliação da equipe de oncologia e Reprodução Humana.Para aumentar as chances de sucesso de obtenção de uma gravidez após o tratamento, quando possível, é importante considerar a preservação da fertilidade antes de iniciar a terapia e manter um acompanhamento médico especializado.

 

Fontes

Cleveland Clinic

Leukaemia Foundation

PubMed