A FIV ou Fertilização in Vitro é uma técnica de Reprodução Assistida que pode auxiliar casais que enfrentam dificuldades para engravidar naturalmente. Nela, óvulo e espermatozoide são colocados em contato em laboratório para formar embriões, que depois são transferidos para o útero.

A Fertilização in Vitro é indicada principalmente para casos de infertilidade conjugal, caracterizada pela ausência de uma gravidez após um período equivalente ou superior a 12 meses de relações sexuais regulares sem uso de métodos contraceptivos. Por ter sido o tratamento responsável pelos primeiros “bebês de proveta”, a FIV se tornou referência quando se fala em tecnologia para ajudar quem tem dificuldade para engravidar.

A seguir, você confere, de forma direta e organizada, o que é a FIV, quando ela é indicada, como o tratamento é feito passo a passo, quais são as chances de sucesso, riscos, vantagens e principais dúvidas relacionadas ao tema.

O que é FIV (Fertilização in Vitro)?

A FIV é um tratamento em que óvulos e espermatozoides são coletados e fertilizados em laboratório. Depois da fecundação, os embriões são cultivados por alguns dias em ambiente controlado e, então, um ou mais embriões são transferidos para o útero da paciente.

Em vez de depender apenas da ovulação espontânea e do encontro natural entre óvulo e espermatozoide nas trompas, a fertilização in vitro permite que essas etapas aconteçam fora do corpo, com maior controle de cada fase do processo.

Como a FIV ajuda quem tem dificuldade para engravidar

A FIV é indicada principalmente quando existem fatores de infertilidade feminina, masculina ou conjugal que dificultam a concepção natural, como alterações nas trompas, baixa reserva ovariana, endometriose, alterações importantes no espermograma ou infertilidade sem causa aparente.

Ao estimular os ovários a produzirem mais óvulos em um mesmo ciclo, selecionar os melhores espermatozoides, fertilizar em laboratório e acompanhar o desenvolvimento dos embriões antes da transferência, a FIV aumenta as chances de gravidez em comparação à gestação natural em muitos cenários.

Em alguns casos, a FIV também pode ser associada a técnicas complementares, como o teste genético pré-implantacional (PGT), a FIV com ICSI , a Mini-FIV ou o congelamento de óvulos e embriões, sempre conforme indicação médica.

Quando a FIV é indicada?

A indicação da FIV é sempre personalizada, mas existem situações em que esse tratamento costuma ser considerado a principal opção.

Indicações de FIV por fatores femininos

Do lado feminino, a fertilização in vitro pode ser indicada quando existem condições que dificultam o encontro entre óvulo e espermatozoide ou a implantação do embrião, como:

Nesses casos, a FIV permite contornar parte das barreiras mecânicas e otimizar a utilização dos óvulos disponíveis.

Indicações de FIV por fatores masculinos

A FIV  é uma importante aliada quando a dificuldade para engravidar está relacionada a algum fator de infertilidade masculino. Alguns cenários em que a Fertilização in Vitro pode ser indicada:

Em muitos desses casos, a FIV associada à ICSI permite selecionar e injetar um único espermatozoide diretamente no óvulo, aumentando as chances de formação de embriões.

FIV para casais homoafetivos e mães solo

A Fertilização in Vitro também é uma alternativa importante para:

Nesses casos, a FIV permite combinar gametas de forma segura e planejada, respeitando a legislação e as particularidades de cada família.

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Como é realizada a FIV (Fertilização in Vitro)?

A FIV é composta por várias etapas, que se conectam como um passo a passo. De forma geral, o tratamento segue 6 fases principais.

1ª etapa da FIV: estimulação ovariana

A FIV começa com a estimulação ovariana. Nessa fase, a paciente usa hormônios – por via injetável e, em alguns casos, em associação com medicamentos orais – para que os ovários produzam múltiplos folículos em um mesmo ciclo, em vez de apenas um óvulo.

  • A estimulação costuma durar de 8 a 14 dias

  • O crescimento dos folículos é acompanhado por ultrassonografias seriadas e dosagens hormonais

  • Quando os folículos atingem o tamanho adequado, aplica-se uma medicação para induzir o amadurecimento final dos óvulos e programar a coleta

2ª etapa da FIV: coleta de óvulos

Cerca de 34 a 36 horas após a medicação de disparo da ovulação, é feita a coleta dos óvulos, também chamada de punção folicular ou aspiração folicular.

  • O procedimento é realizado por via vaginal, com uma agulha guiada por ultrassom transvaginal

  • A paciente é sedada para conforto e segurança

  • Não há cortes na pele nem incisões abdominais

  • O procedimento costuma durar em torno de 15 a 20 minutos

  • Os folículos aspirados são encaminhados ao laboratório, onde os óvulos são identificados e avaliados

3ª etapa da FIV: coleta de espermatozoides

No mesmo dia da coleta de óvulos, é feita a coleta do sêmen do parceiro ou o uso de amostras de banco de sêmen, quando indicado.

  • A forma mais comum de coleta é por masturbação

  • Em casos específicos, pode ser necessária a punção testicular ou epididimária para obtenção dos espermatozoides

  • No laboratório, o material passa por preparo para selecionar os gametas com melhor motilidade e morfologia

4ª etapa da FIV: fertilização em laboratório (convencional e ICSI)

Com óvulos e espermatozoides preparados, ocorre a fertilização em laboratório, de duas formas principais:

  • FIV convencional – óvulos e espermatozoides são colocados juntos em uma placa de cultura e o espermatozoide penetra o óvulo espontaneamente

  • ICSI (injeção intracitoplasmática) – um único espermatozoide é selecionado e injetado diretamente no interior do óvulo com auxílio de microscopia e micromanipuladores, geralmente indicada em casos de fator masculino mais grave ou uso de óvulos congelados

Após a fecundação, o laboratório acompanha quais óvulos foram fertilizados e passaram a se desenvolver como embriões.

5ª etapa da FIV: acompanhamento do desenvolvimento embrionário

Os embriões ficam em incubadoras especiais, em ambiente controlado, por alguns dias.

Depois desse período, os embriões considerados mais adequados são selecionados para transferência ao útero.

6ª etapa da FIV: transferência embrionária e teste de gravidez (beta-hCG)

A transferência embrionária é o momento em que um ou mais embriões são colocados dentro do útero da paciente.

  • O procedimento é rápido, feito com um cateter fino, sem necessidade de anestesia na maioria dos casos

  • A quantidade de embriões transferidos segue critérios médicos e as normas do CFM, levando em conta idade, qualidade embrionária e histórico do caso

  • Embriões excedentes, quando existentes e viáveis, podem ser congelados para uso futuro

Após a transferência, recomenda-se aguardar de 9 a 12 dias para realizar o exame de sangue beta-hCG, que é o teste capaz de confirmar se houve implantação e início da gravidez.

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Quanto tempo demora a FIV?

Do início da estimulação até o resultado do exame de gravidez, considerando apenas um cliclo, a FIV costuma levar em torno de 3 a 4 semanas.

Esse prazo não inclui o período anterior, de investigação da infertilidade, consultas iniciais e exames preparatórios, que variam conforme o caso.

Entenda a linha do tempo da FIV

  • 8 a 14 dias de estimulação ovariana e monitoramento

  • 1 dia para coleta de óvulos e espermatozoides

  • Geralmente 5 de cultivo embrionário até o momento da transferência

  • Mais 9 a 12 dias de espera para o exame de gravidez (beta-hCG)

Quais são as chances de engravidar com a FIV?

A FIV é um dos métodos de Reprodução Assistida com maior taxa de sucesso, podendo chegar a até 60% por tentativa, em alguns perfis, – especialmente em mulheres mais jovens, com boa reserva ovariana e sem fatores associados importantes, segundo o Dr. Bruno Bedoschi, especialista em Reprodução Humana da clínica BedMed.

Chances de sucesso da FIV por idade

A idade da mulher é um dos fatores mais relevantes no sucesso da FIV:

  • Mulheres mais jovens tendem a ter óvulos em melhor quantidade e qualidade

  • A partir dos 35 anos, as chances de sucesso começam a cair de forma gradual

  • Após os 40 anos, a taxa de sucesso diminui de forma mais acentuada, embora a FIV ainda ofereça melhores chances do que a gestação natural em muitos casos

Por que a idade importa tanto na gravidez?

O potencial reprodutivo feminino diminui naturalmente com o avanço da idade. Isso ocorre tanto em gestações naturais quanto na FIV. Para entender melhor essa relação, considere as chances de engravidar naturalmente após 12 meses de tentativas:

  • Até 25 anos: 86%

  • 25 a 27 anos: 78%

  • 35 a 39 anos: 52%

  • 40 a 44 anos: 20% a 30%

  • 45 anos ou mais: cerca de 5%

Esses números mostram como a fertilidade feminina diminui com o tempo — e, embora a FIV aumente significativamente as chances em comparação à gestação natural, a idade ainda é determinante para o sucesso do tratamento.

Fatores que influenciam o resultado da fertilização in vitro

Além da idade, outros fatores também influenciam as chances de engravidar com FIV:

  • Qualidade dos óvulos e dos espermatozoides

  • Resposta ovariana à estimulação

  • Receptividade uterina e qualidade do endométrio

  • Presença de doenças associadas, como endometriose, miomas, alterações hormonais ou metabólicas

  • Estilo de vida – tabagismo, consumo de álcool, sedentarismo, excesso de peso e estresse intenso podem impactar a fertilidade

  • Experiência da equipe médica e estrutura da Clínica de Reprodução Humana

Dados de Fertilização in Vitro relevantes no Brasil

  • Em 2017, mais de 36 mil procedimentos de FIV foram realizados no país (ANVISA).

  • O Brasil é líder na América Latina em técnicas como FIV, inseminação artificial e transferência de embriões, segundo a SBRA.

  • Mais de 86 mil bebês brasileiros já nasceram por métodos de Reprodução Assistida.

Quais são as vantagens e os riscos da FIV?

Principais vantagens da fertilização in vitro

Entre os principais benefícios da FIV, podemos destacar:

  • Maior taxa de sucesso em comparação a outras técnicas de Reprodução Assistida em diversos cenários

  • Possibilidade de contornar alterações das tubas uterinas, fator masculino grave e casos complexos de infertilidade

  • Controle detalhado de cada etapa, desde a estimulação ovariana até a seleção dos embriões

  • Possibilidade de congelar embriões e óvulos para tentativas futuras ou preservação da fertilidade

  • Uso de gametas doados e técnicas como gestação compartilhada ou útero de substituição, dentro das normas do CFM

  • Associação a exames como o teste genético pré-implantacional (PGT), quando indicado, para seleção de embriões com maior potencial de implantação

Riscos e possíveis efeitos colaterais da FIV

Apesar de ser um procedimento seguro e amplamente utilizado, a FIV pode envolver alguns riscos e desconfortos, como:

  • Sintomas decorrentes da estimulação ovariana, como inchaço abdominal, sensibilidade nas mamas e alterações de humor

  • Síndrome de hiperestimulação ovariana – hoje pouco frequente, mas possível em algumas pacientes, principalmente em protocolos mais intensos

  • Risco de gestação múltipla quando mais de um embrião é transferido – reduzido com a adoção de protocolos que privilegiam a transferência de um único embrião em muitos casos

  • Possibilidade de aborto espontâneo ou gravidez ectópica, com taxas semelhantes às de gestações naturais em muitos cenários

Todos esses pontos são explicados com clareza antes do início do tratamento, e o acompanhamento cuidadoso da equipe médica reduz o risco de complicações.

Aspectos emocionais do tratamento de FIV

A FIV não envolve apenas exames e procedimentos. Lidar com a infertilidade, com as expectativas em torno de cada tentativa e com eventuais frustrações pode ser emocionalmente desafiador.

Por isso, é comum que o plano de tratamento  fa Fertilização in Vitro inclua:

  • Acolhimento próximo da equipe

  • Explicações claras sobre cada etapa

  • Orientações sobre autocuidado físico e mental

  • Encaminhamento para acompanhamento psicológico, quando necessário

Quanto custa a FIV (Fertilização in Vitro)?

O valor da Fertilização in Vitro não é fixo e costuma considerar diferentes etapas do tratamento, como:

  • Consultas com o especialista em Reprodução Humana

  • Exames de avaliação da fertilidade do casal ou da paciente

  • Estrutura de centro cirúrgico para coleta dos óvulos

  • Procedimentos laboratoriais – preparo dos gametas, fertilização, cultivo e acompanhamento embrionário

  • Transferência embrionária

Em alguns casos, custos com medicamentos hormonais, congelamento de óvulos ou embriões e testes genéticos são considerados à parte, conforme a necessidade.

Qual é a diferença entre FIV e inseminação artificial?

A diferença central entre fertilização in vitro e inseminação artificial é onde ocorre a fecundação.

Na FIV, óvulos e espermatozoides se unem em laboratório e, depois, o embrião é transferido para o útero.
Na inseminação, os espermatozoides são apenas preparados em laboratório e colocados no útero, para que a fecundação aconteça naturalmente nas trompas.

Em geral, a FIV é usada em casos mais complexos de infertilidade, e a inseminação em situações mais leves, sempre com indicação médica.

FIV na BedMed: clínica de Reprodução Humana em São Paulo

Na BedMed, a FIV é conduzida por uma equipe especializada em Reprodução Humana, com experiência em casos simples e complexos, casais heterossexuais, casais homoafetivos e pessoas em produção independente.

O tratamento começa com uma investigação completa da fertilidade e definição do protocolo mais adequado, incluindo outras técnicas de Reprodução Assistida quando necessárias.

Se você tem dificuldade para engravidar, baixa reserva ovariana, alterações no espermograma ou já recebeu indicação de FIV, uma consulta com especialista é o próximo passo.

A equipe da BedMed está pronta para ouvir sua história, esclarecer suas dúvidas e, junto com você, definir o melhor caminho. Para entender melhor o seu caso e as etapas da Fertilização in Vitro, entre em contato com a clínica e agende uma consulta com um de nossos especialistas!

Fontes:

Clínica de Reprodução Humana BedMed

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA).