Durante a Fertilização in Vitro (FIV), é esperado que nem todos os óvulos coletados originem embriões. Entenda por que isso acontece.
Na reprodução humana, um único óvulo é liberado durante cada ciclo menstrual. Embora pesquisas mostrem que aproximadamente 80% das pessoas que têm relações sexuais desprotegidas ao longo de um ano engravidarão, muitos outros óvulos nunca serão fertilizados ou resultarão em uma gravidez, enquanto alguns óvulos que são fertilizados não se implantarão no útero.
O texto a seguir traz informações que ajudam a entender por que óvulos fertilizados na FIV nem sempre resultam em uma gravidez de sucesso.
Índice
Quantos óvulos costumam fertilizar em um ciclo de FIV?
Durante o processo de Fertilização in Vitro (FIV), cerca de 70% dos óvulos maduros são fertilizados e, destes, apenas cerca de 50% continuam a se desenvolver até poderem ser transferidos para o útero.
Por que nem todos os óvulos fertilizam?
Mesmo quando tudo parece perfeito, os óvulos podem não ser fertilizados. Entre os principais motivos, destacam-se:
Qualidade dos óvulos
Óvulos que não estão totalmente maduros ou que apresentam alterações cromossômicas podem não ser fertilizados. Esse problema geralmente está associado à idade materna avançada, à diminuição da reserva ovariana ou à disfunção ovariana.
Qualidade dos espermatozoides
Muitas vezes, os óvulos não são fertilizados devido à baixa qualidade dos gametas masculinos. Espermatozoides com defeitos estruturais, baixa motilidade ou altos níveis de fragmentação do DNA espermático podem ter dificuldade para penetrar o óvulo ou completar a fertilização. Anormalidades graves nos espermatozoides reduzem significativamente o sucesso da fertilização.
Alterações genéticas dos gametas
Há situações nas quais o espermatozoide ou o óvulo pode apresentar problemas genéticos ou estruturais que impossibilitam a fertilização, mesmo com métodos avançados de Reprodução Assistida.
O que acontece após a confirmação da fertilização?
Após a fertilização, os óvulos fertilizados são monitorados para os especialistas saberem se eles se desenvolvem durante o estágio embrionário. Nem todos os óvulos fertilizados na FIV originarão embriões de qualidade suficiente para a transferência. Alguns embriões podem parar de se desenvolver no estágio inicial, enquanto outros podem apresentar alterações cromossômicas ou morfológicas que os tornam inviáveis.
O que é avaliado no D1?
No primeiro dia (D1) do processo de embriologia da FIV (16 a 20 horas após a coleta dos óvulos e a fertilização pelos espermatozoides), os embriologistas avaliam os óvulos para verificar se a fertilização foi bem-sucedida. Nessa etapa, os óvulos fertilizados na FIV são examinados ao microscópio para confirmar se a fertilização é normal, ou seja, se há a presença de dois pronúcleos (um do óvulo e um do espermatozoide) e dois corpúsculos polares.
Como ocorre o desenvolvimento no D2 e D3?
No segundo dia de desenvolvimento dos óvulos fertilizados na FIV (D2), eles começam a se dividir em células e se transformam em embriões. A maioria dos embriões terá entre duas e quatro células.
No terceiro dia (D3), os embriões já estão mais desenvolvidos e variam entre embriões de seis a oito células, multicelulares e embriões em processo de compactação.
O que acontece até o estágio de blastocisto?
A maioria dos embriões terá atingido o estágio de blastocisto no quinto dia após a fertilização. Ele terá aumentado de tamanho e estará mais desenvolvido. O blastocisto possui certas estruturas que o embriologista espera observar durante a avaliação, como a massa celular interna (MCI), que é o componente fetal, e as células do trofectoderma, que formam a placenta. Na maioria dos casos, é no estágio de blastocisto que o embrião pode ser transferido ao útero.
Por que alguns óvulos fertilizados param de se desenvolver?
Aproximadamente 60% dos óvulos fertilizados na FIV se transformam em blastocistos. Isso significa que cerca de 40% dos embriões param de se desenvolver antes de atingirem o quinto ou sexto dia de desenvolvimento. Esse fenômeno é conhecido como “parada de desenvolvimento embrionário” e ocorre quando um embrião interrompe sua divisão celular por 24 horas. A causa para essa parada, geralmente, está relacionada a um número anormal de cromossomos.
É normal ter menos embriões do que óvulos fertilizados?
Sim. É esperado que o número final de embriões seja menor do que a quantidade de óvulos coletados e fertilizados. Isso porque alguns óvulos não fertilizam, alguns embriões não evoluem e outros podem não apresentar características adequadas para a transferência.
Quantos óvulos fertilizados costumam chegar ao estágio de blastocisto?
O número de óvulos fertilizados na FIV que geram embriões que chegam ao estágio de blastocisto varia entre as pacientes, pois vários fatores individuais impactam o resultado.
A idade influencia a quantidade de embriões formados?
Sim. Com o envelhecimento reprodutivo, aumenta a chance de haver alterações cromossômicas que podem afetar o desenvolvimento embrionário. Por isso, duas pacientes com a mesma quantidade de óvulos coletados podem apresentar resultados diferentes após a fertilização.
O que os especialistas analisam para escolher os melhores embriões?
Os embriologistas avaliam a qualidade do embrião com base em três fatores principais:
- Morfologia: são avaliados a forma, a simetria e o tamanho das células do embrião.
- Dinâmica da divisão celular: a velocidade adequada de divisão indica a capacidade do embrião de continuar se desenvolvendo.
- Perfil genético: identifica possíveis alterações genéticas. Somente os embriões recomendados por geneticistas são selecionados para a transferência.
Ao avaliar esses aspectos, é possível determinar quais embriões têm as maiores chances de se desenvolverem com sucesso.
Vale a pena buscar uma segunda opinião sobre os resultados da FIV?
Durante o tratamento de FIV, é comum existir uma perda natural em cada etapa do desenvolvimento embrionário, e o número de embriões obtidos nem sempre representa a qualidade do tratamento realizado. Fatores como idade, qualidade dos gametas e características individuais do casal influenciam diretamente os resultados.
Pacientes que tiveram menos embriões do que esperavam, dúvidas sobre a evolução embrionária ou dificuldades em tentativas anteriores podem se beneficiar de uma segunda opinião especializada de um especialista em reprodução humana.
Na Clínica BedMed, uma consulta personalizada pode ajudar a analisar os resultados, esclarecer dúvidas e orientar os próximos passos no tratamento de Reprodução Assistida.
Fontes
