Técnica seleciona espermatozoides com base na sua capacidade natural de migração, aproximando o processo laboratorial do que acontece no corpo

A qualidade do espermatozoide que fecunda o óvulo influencia o desenvolvimento embrionário, as chances de implantação e o risco de perda gestacional. Por muito tempo, a seleção espermática nos laboratórios de Reprodução Assistida se baseou principalmente em parâmetros como concentração, motilidade e morfologia, avaliados após procedimentos mecânicos e químicos. A técnica Zymot propõe uma abordagem diferente: em vez de manipular o sêmen para separar os espermatozoides, ela utiliza microfluídica para selecionar aqueles que demonstram capacidade de migrar de forma autônoma, semelhante ao que ocorre no trato reprodutivo feminino.

O que é a técnica Zymot?

O Zymot é um dispositivo de seleção espermática desenvolvido com base em tecnologia microfluídica, aprovado pelo FDA americano e pela Anvisa brasileira para uso em Reprodução Assistida. Ele funciona por meio de um chip de polímero biocompatível que simula as condições do trato reprodutivo feminino.

Uma pequena amostra de sêmen é inserida em um reservatório de entrada. Os espermatozoides com boa motilidade progressiva migram através de microcanais até um segundo compartimento, onde são coletados para uso na fertilização. Os que não conseguem percorrer esse trajeto permanecem no reservatório inicial e não são utilizados. O princípio é que os espermatozoides capazes de migrar autonomamente são, em média, os de melhor qualidade genética e estrutural.

Como funciona a seleção espermática por microfluídica?

Os métodos convencionais de seleção espermática incluem o swim-up e o gradiente de densidade, que utilizam centrifugação para separar espermatozoides. Esses processos são eficazes, mas a centrifugação pode gerar estresse oxidativo nas células espermáticas, danificando potencialmente seu DNA.

A microfluídica evita esse problema. O Zymot expõe o sêmen a um ambiente com fluxo contínuo de meio de cultura, e apenas os espermatozoides com motilidade progressiva real conseguem nadar contra esse fluxo e chegar ao compartimento de coleta. O resultado é uma amostra selecionada sem exposição a forças mecânicas significativas, com menor nível de fragmentação do DNA espermático.

Quando a técnica Zymot é indicada?

A técnica Zymot tem indicação mais específica do que ampla. Ela é uma alternativa com potencial benefício em situações particulares, como:

  • Alta fragmentação do DNA espermático, identificada por espermograma com teste de fragmentação;
  • Falhas de implantação em ciclos anteriores de FIV sem causa aparente;
  • Perdas gestacionais recorrentes de possível causa espermática;
  • Casos de fator masculino moderado, especialmente quando a fragmentação é o achado predominante;
  • Casais que desejam minimizar a manipulação laboratorial do material espermático.

A decisão pela técnica Zymot deve ser tomada com base no perfil seminal do paciente e no histórico do casal, e não de forma protocolar em todos os ciclos.

A técnica Zymot aumenta as chances de gravidez?

Os estudos disponíveis mostram resultados promissores em grupos específicos. Uma metanálise publicada no Journal of Assisted Reproduction and Genetics encontrou vantagem do Zymot em taxas de implantação e de gravidez em casais com alta fragmentação de DNA espermático, com taxas de fertilização e desenvolvimento embrionário comparáveis aos métodos convencionais nos demais grupos.

Em casais sem alterações espermáticas relevantes, a diferença nos resultados tende a ser menor. Afirmar que a técnica Zymot aumenta as chances de obtenção da gravidez para todos os pacientes seria impreciso: o benefício é real, mas é mais evidente em contextos específicos, e é essa nuance que deve orientar sua indicação.

A técnica Zymot vale a pena para todos os pacientes?

Avaliar se o Zymot vale a pena passa pela análise individual de cada caso. Para casais com espermograma normal, sem histórico de falhas repetidas de fertilização e sem fragmentação elevada de DNA espermático, os métodos convencionais de seleção espermática oferecem resultados igualmente satisfatórios, com menor custo adicional.

Para casais que já passaram por ciclos sem sucesso ou cujo espermograma revela fragmentação de DNA elevada, o Zymot vale a pena como alternativa que pode fazer diferença no desfecho do tratamento. A conversa com o especialista em Reprodução Assistida é o passo indicado para avaliar se o dispositivo faz sentido para o perfil específico do casal.

A técnica Zymot pode beneficiar homens com alterações no sêmen?

Sim, com algumas distinções importantes. Homens com oligospermia leve a moderada podem se beneficiar da técnica Zymot, porque o dispositivo seleciona os melhores entre os disponíveis, reduzindo a fragmentação e melhorando a qualidade do material utilizado na fertilização. Já em casos de oligospermia severa, a quantidade de espermatozoides que migraria pelo chip pode ser insuficiente, tornando o Zymot inadequado.

A idade masculina também é relevante: homens acima de 40 anos tendem a apresentar maior fragmentação de DNA espermático, e é justamente nesse contexto que a seleção espermática por microfluídica mostra maior potencial de benefício.

Um volume seminal reduzido, isoladamente, não é indicação específica para o Zymot, mas é considerado junto a outros parâmetros do espermograma na tomada de decisão.

Existem limitações da técnica Zymot?

A técnica Zymot tem limitações que precisam ser conhecidas. A principal é a quantidade mínima de espermatozoides necessária para que o dispositivo funcione: em casos de oligospermia severa ou criptozoospermia, o número de células que migram pelo chip pode ser insuficiente para a fertilização, especialmente quando se deseja fertilizar múltiplos óvulos.

Outra limitação é que o Zymot não corrige a fragmentação de DNA já presente nas células — ele aumenta a probabilidade de selecionar aquelas com menor fragmentação, por serem as mais aptas a migrar.

Por fim, como qualquer técnica laboratorial, seus resultados dependem da experiência da equipe e da qualidade do laboratório onde é utilizado.

Como a Clínica BedMed define quando utilizar a técnica Zymot?

Na Clínica BedMed, a indicação da técnica Zymot começa pela análise criteriosa do espermograma, incluindo o teste de fragmentação de DNA quando há indicação clínica. Esse conjunto de informações, combinado com o histórico do casal e os resultados de ciclos anteriores, orienta a discussão sobre quais recursos laboratoriais fazem sentido em cada caso.

A equipe não adota protocolos uniformes: a decisão de utilizar o Zymot é tomada com base nos achados individuais e no objetivo de maximizar as chances de cada ciclo específico. Quando a indicação está presente e o perfil seminal é compatível com o dispositivo, a técnica Zymot passa a integrar o protocolo como mais uma ferramenta a serviço do resultado.

Agende sua consulta na Clínica BedMed e saiba mais.

 

Fontes

Journal of Assisted Reproduction and Genetics

Fertility and Sterility (American Society for Reproductive Medicine)

Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA)