Após uma perda gestacional, a AMIU pode ser indicada visando à recuperação do útero e preservar a saúde reprodutiva da mulher

A aspiração manual intrauterina (AMIU) é considerada um procedimento seguro e pouco invasivo utilizado para esvaziar o útero após abortos espontâneos ou interrupções gestacionais.

O texto a seguir traz informações detalhadas sobre como ela é realizada, seus riscos e sua recuperação.

O que é AMIU e em quais situações é indicada?

A aspiração manual intrauterina (AMIU) é um procedimento realizado para esvaziar a cavidade uterina. Pode ser indicada nas seguintes situações:

  • Abortamento incompleto;
  • Abortamento retido;
  • Esvaziamento uterino após perda gestacional;
  • Interrupção legal da gravidez;
  • Necessidade de retirada de restos ovulares.

Quando a AMIU pode ser necessária após um aborto?

Após um aborto espontâneo, o organismo nem sempre consegue eliminar sozinho todo o conteúdo gestacional. Quando permanecem restos ovulares dentro do útero, podem surgir sintomas como sangramento persistente, cólicas intensas, febre e risco de infecção. Para evitar tais complicações, a AMIU é necessária para completar o esvaziamento uterino.

Como o procedimento de AMIU é realizado na prática?

A AMIU pode ser realizada em ambiente hospitalar ou clínica especializada. Antes do procedimento, a paciente passa por uma avaliação médica e recebe orientações sobre o preparo e a analgesia.

Durante o procedimento, o médico pode dilatar o colo do útero para permitir a introdução de uma cânula fina e flexível. Essa cânula é conectada a um aspirador manual que cria pressão negativa para remover o conteúdo uterino.

O método é menos agressivo do que a curetagem, porque não utiliza instrumentos cortantes dentro do útero, o que reduz o risco de lesões na parede uterina.

Como fica o útero após a AMIU?

Após a AMIU, o útero inicia um processo de recuperação e cicatrização. Na maioria dos casos, não há impacto permanente na fertilidade. O organismo gradualmente retoma o funcionamento hormonal normal, permitindo que o ciclo menstrual volte nas semanas seguintes.

A AMIU dói? Como é feita a analgesia?

Como o procedimento é feito com sedação leve ou anestesia mais profunda, não há risco de dor, apenas de um leve desconforto pós-procedimento (como cólicas menstruais), que pode variar de acordo com cada paciente e com a idade gestacional.

Quanto tempo dura o procedimento e a recuperação?

O procedimento em si leva cerca de 20 a 30 minutos. Na maioria das vezes, a paciente recebe alta no mesmo dia após um período de observação. A recuperação costuma ser relativamente rápida, permitindo retorno gradual às atividades em poucos dias.

Após a AMIU, podem ocorrer desconfortos leves por alguns dias, geralmente controlados com medicações simples prescritas pelo médico.

Quais são os riscos e possíveis complicações?

Embora a AMIU seja um procedimento seguro, existem alguns riscos. Estes incluem:

  • Tecido remanescente no útero, sendo necessário que o procedimento seja repetido;
  • Infecção;
  • Lesão no colo do útero;
  • Falha em interromper a gravidez;
  • Sangramento;
  • Perfuração do útero.

AMIU ou curetagem: qual é a diferença?

A curetagem é um procedimento cirúrgico, realizado sob anestesia, que consiste na dilatação do colo uterino, seguida pela introdução de uma cureta metálica (instrumento em formato de colher ou alça) que raspa mecanicamente a parede interna do útero para remover o conteúdo gestacional.

A AMIU é uma técnica menos invasiva na qual é utilizada uma cânula flexível acoplada a uma seringa, criando vácuo para aspirar suavemente o conteúdo uterino, sem a necessidade de curetagem manual (raspagem uterina).

O que esperar após a AMIU: sangramento, ciclo e cuidados

Após o término da AMIU, é normal sentir dores na parte inferior do abdome, como espasmos, e apresentar um leve sangramento durante as duas semanas seguintes ao procedimento.

A maioria das mulheres pode retomar suas atividades normais após o procedimento; no entanto, é recomendado evitar relações sexuais enquanto persistir o sangramento e não utilizar absorventes internos.

O ciclo menstrual geralmente retorna entre quatro e oito semanas, dependendo da resposta hormonal do organismo.

Quando é possível voltar a tentar engravidar após a AMIU?

O momento ideal para uma nova tentativa varia conforme cada caso. É importante avaliar como o organismo se recuperou física e emocionalmente antes de planejar outra gestação.

Em muitos casos, após a recuperação do útero e o retorno do ciclo menstrual, a fertilidade pode voltar rapidamente. Porém, quando existem perdas recorrentes ou suspeita de fatores associados, uma investigação mais aprofundada pode ser necessária antes de uma nova tentativa.

Como a Clínica BedMed pode te acompanhar após o aborto e ajudar a planejar os próximos passos?

Passar por um aborto é um momento delicado — e, muitas vezes, além da recuperação física, surgem dúvidas sobre o que vem depois.

Quando há necessidade de um procedimento como a AMIU, é natural querer entender se isso pode impactar a fertilidade e quando será possível tentar novamente.

Na Clínica BedMed, esse cuidado não termina no procedimento. O acompanhamento após o aborto envolve avaliar como o organismo se recuperou, identificar possíveis causas quando necessário e orientar o melhor momento para uma nova tentativa. Ter esse suporte ajuda a transformar um momento difícil em um recomeço mais seguro e consciente.

 

Fontes

Clínica BedMed

Revista de Saúde Pública

Organização Mundial da Saúde