Entenda como a ciência e a Reprodução Assistida permitem novas formas de vivenciar a gestação de um filho biológico
A Medicina Reprodutiva tem ampliado as possibilidades de parentalidade, permitindo que pessoas antes consideradas inférteis possam realizar o desejo de ter filhos. Durante muito tempo, a ausência do útero foi vista como um fator definitivo para a impossibilidade de gerar um bebê com os genes maternos. No entanto, com o desenvolvimento de técnicas de Reprodução Assistida, essa realidade mudou.
Hoje, especialistas possuem alternativas para responder à questão “Quem não tem útero pode engravidar?”, desde que sejam considerados os aspectos genéticos, emocionais e físicos envolvidos no processo.
Saiba mais sobre este tema continuando a leitura deste texto.
Índice
Quando é preciso remover o útero?
Existem muitas razões que podem levar à necessidade de uma mulher remover o útero, procedimento este chamado de histerectomia. Uma das necessidades é quando há a presença de tumores malignos, como o câncer de colo do útero, de endométrio ou de ovário, mas também pode haver essa necessidade na presença de tumores benignos, como miomas uterinos.
Como os miomas só podem ser tratados sintomaticamente e podem reaparecer mesmo após a cirurgia, alguns médicos podem recomendar a remoção do útero se a mulher estiver próximo da menopausa e não planejar mais ter filhos.
Razões não relacionadas a tumores, como endometriose grave ou prolapso uterino, também justificam a remoção do útero. Além disso, complicações como hemorragia pós-parto e trauma uterino grave podem tornar a histerectomia necessária.
Quem não tem útero consegue engravidar?
O útero é onde o feto reside e se desenvolve; portanto, uma vez removido, seja parcial ou totalmente, a paciente não poderá mais engravidar, mas isso não finda sua fertilidade.
Após a implantação do embrião no útero, desenvolvem-se vasos sanguíneos que transportam o sangue materno até o feto, a partir de glândulas presentes no revestimento do útero. Essas características únicas são essenciais para a gestação.
Embora a implantação do óvulo possa ocorrer fora do útero, nenhum outro órgão além do útero pode fornecer a nutrição e o espaço necessários para que um feto se desenvolva até o termo. É por este motivo que a resposta para a pergunta “Quem não tem útero pode engravidar?” é: não do ponto de vista biológico.
No entanto, mesmo sem útero, muitas mulheres ainda possuem ovários funcionais capazes de produzir óvulos. Isso mantém a fertilidade possível, apesar da ausência do útero, já que os óvulos podem ser utilizados em procedimentos de Fertilização in Vitro (FIV). Isso significa que a resposta à pergunta “Quem não tem útero pode engravidar?” pode ser muito mais ampla do que se imagina, ainda que envolva meios alternativos à gestação tradicional, considerando a gravidez como um processo que abrange mais do que apenas a gestação intrauterina.
Alternativas para pessoas sem o útero terem filhos
Quando uma paciente que deve se submeter a uma histerectomia tem uma resposta parcialmente negativa quando pergunta ao médico se quem não tem útero pode engravidar, ela geralmente recebe orientações sobre algumas possibilidades para realizar o seu sonho de ser mãe, como veremos a seguir.
Barriga solidária ou de substituição
É fato que, biologicamente, quem não tem útero não pode engravidar, mas é perfeitamente possível — e um processo cada vez mais bem-sucedido — que mulheres tenham um bebê biológico após uma histerectomia por meio de gestação por substituição. Nesse método, os óvulos da mulher e o esperma do parceiro são usados para criar embriões por meio de Fertilização in Vitro, que são então transferidos para o útero de uma outra mulher. As taxas de sucesso da barriga solidária giram em torno de 55% a 60% por transferência de embrião.
O órgão que regulamenta a cessão temporária de útero é o Conselho Federal de Medicina (CFM), que determina algumas regras para a mulher que aceita ser o útero de substituição:
- Não pode haver pagamento pelo procedimento;
- Apenas parentes de até quarto grau (mãe, irmã, tia, prima, avó ou sobrinha) podem ceder o útero;
- A cedente do útero precisa ter filho;
- O cônjuge da cedente precisa autorizar o tratamento;
- O tratamento deve ser realizado em uma clínica de Reprodução Humana Assistida regulamentada;
- O bebê gerado é legalmente considerado filho dos pais biológicos, sem necessidade de adoção.
Método ROPA
O método ROPA (Recepção de Óvulos da Parceira), também conhecido como gravidez compartilhada, é muito utilizado por casais homoafetivos formados por mulheres. Nele, uma mulher fornece os óvulos e a outra gesta o bebê. É necessário que ambas façam exames para avaliar sua fertilidade. Com base nisso, é possível escolher qual delas vai gestar a criança e qual será a doadora do óvulo, após uma análise de critérios como potencial reprodutivo, idade, saúde, condições clínicas, estilo de vida e desejo de vivenciar uma gestação.
Quando nenhuma das duas pode gestar, a barriga solidária entra como alternativa, reforçando que quem não tem útero pode engravidar de outra maneira, ao vivenciar a maternidade desde a concepção.
Transplante de útero
O transplante de útero é uma possibilidade para mulheres que receberam uma resposta negativa quando questionaram seus médicos sobre se quem não tem útero pode engravidar, mas que desejam gestar o seu bebê. O transplante é uma técnica cirúrgica altamente complexa na qual o útero saudável de uma doadora é transplantado para a receptora. Através do transplante de útero, a receptora do órgão pode engravidar e se tornar mãe biológica.
Fontes
Conselho Federal de Medicina (CFM)
Cleveland Clinic
Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA)
Clínica BedMed
