Exame de imagem auxilia na investigação de dor, alterações palpáveis e infertilidade masculina

Quando um casal busca ajuda médica para engravidar, a investigação costuma incluir avaliações tanto da mulher quanto do homem. Entre os exames masculinos mais solicitados nesse processo está a ultrassonografia da bolsa testicular, um exame de imagem não invasivo capaz de avaliar detalhadamente os testículos, epidídimos e estruturas próximas.

Entender para que serve esse exame, quando ele costuma ser indicado e o que os resultados podem revelar ajuda a esclarecer eventuais dúvidas comuns durante a investigação de fertilidade.

Saiba mais a seguir.

O que é e para que serve a ultrassonografia da bolsa testicular?

A ultrassonografia da bolsa testicular é um exame de imagem que utiliza ondas sonoras para produzir imagens detalhadas dos testículos, epidídimos, cordão espermático e tecidos adjacentes. Também pode ser chamada de ultrassom do escroto ou ultrassonografia do escroto, e costuma incluir a avaliação do fluxo sanguíneo local por meio do Doppler, técnica que permite identificar alterações na circulação da região.

O exame é utilizado para investigar uma ampla gama de quadros, desde dor e inchaço até nódulos palpáveis e questões relacionadas à fertilidade. Por ser indolor e não utilizar radiação, a ultrassonografia da bolsa testicular é considerada segura e pode ser repetida sempre que necessário para acompanhamento clínico.

O ultrassom de testículo avalia a infertilidade masculina?

Sim, o ultrassom de testículo é um dos principais exames utilizados na investigação da infertilidade masculina, especialmente quando o espermograma aponta alterações nos parâmetros seminais, como redução na quantidade ou na qualidade dos espermatozoides. Nesses casos, a ultrassonografia da bolsa testicular ajuda a identificar causas anatômicas ou vasculares que podem estar comprometendo a produção espermática.

A varicocele, dilatação das veias do cordão espermático, é uma das condições mais associadas à infertilidade masculina e está presente em até 15% dos homens adultos. Por ser uma causa potencialmente reversível, sua identificação pelo ultrassom do escroto tem impacto direto na definição do tratamento.

Principais diagnósticos detectados pelo ultrassom do escroto

O ultrassom do escroto permite identificar diversas alterações que podem ou não estar relacionadas à fertilidade. Entre os principais diagnósticos, destacam-se:

  • Varicocele;
  • Hidrocele;
  • Cistos no epidídimo e espermatocele;
  • Orquite e epididimite;
  • Atrofia testicular;
  • Tumores no testículo;
  • Hérnia inguinal.

Varicocele

A varicocele é a dilatação anormal das veias do plexo pampiniforme, identificada na ultrassonografia da bolsa testicular pela presença de veias com diâmetro aumentado e que podem apresentar refluxo venoso ao Doppler colorido. É uma das causas mais frequentes de infertilidade masculina, já que o acúmulo de sangue eleva a temperatura local e pode prejudicar a produção de espermatozoides.

Hidrocele

A hidrocele corresponde ao acúmulo de líquido entre as membranas que envolvem o testículo. Geralmente, é uma condição benigna e, na maioria dos casos, não interfere na fertilidade, mas hidroceles volumosas podem causar desconforto e merecem acompanhamento.

Cistos no epidídimo e espermatocele

Os cistos no epidídimo e a espermatocele são lesões benignas comuns, visualizadas na ultrassonografia da bolsa testicular como estruturas bem-delimitadas e preenchidas por líquido. Costumam ser assintomáticos, embora cistos maiores possam gerar desconforto local.

Orquite e epididimite

A orquite (inflamação do testículo) e a epididimite (inflamação do epidídimo) são condições infecciosas que podem causar dor intensa e, quando não tratadas adequadamente, comprometer a fertilidade no longo prazo. O ultrassom do escroto, associado ao Doppler, ajuda a diferenciar esses quadros de outras causas de dor escrotal aguda.

Atrofia testicular

A atrofia testicular caracteriza-se pela redução do volume do testículo, podendo estar associada a varicocele não tratada, traumas prévios, infecções ou alterações hormonais. Sua identificação é importante porque impacta diretamente a produção espermática.

Tumores no testículo

O ultrassom de testículo também é uma ferramenta essencial na diferenciação entre nódulos benignos e malignos. Embora a maioria dos achados seja benigna, massas testiculares suspeitas exigem investigação complementar, já que o diagnóstico precoce é determinante para o tratamento de tumores testiculares.

Hérnia inguinal

Em alguns casos, a ultrassonografia da bolsa testicular também identifica hérnias inguinais, quando uma alça intestinal se projeta para a região da virilha ou do escroto, quadro que pode exigir avaliação cirúrgica.

Quando a ultrassonografia da bolsa testicular é solicitada?

A ultrassonografia da bolsa testicular costuma ser solicitada diante de dor ou inchaço na região escrotal, presença de nódulos ou massas palpáveis, alterações identificadas no exame físico, histórico de trauma na região e, especialmente no contexto da Reprodução Humana, quando o espermograma do parceiro apresenta alterações nos parâmetros seminais. Também é indicada no acompanhamento de patologias já diagnosticadas, como varicocele ou hidrocele.

Como é feito o exame de ultrassonografia do escroto?

O exame de ultrassonografia do escroto é realizado com o paciente deitado, geralmente com uma toalha posicionada para elevar levemente a bolsa escrotal. O médico aplica um gel condutor na região e desliza o transdutor do aparelho de ultrassom sobre a pele, capturando imagens em tempo real dos testículos e estruturas adjacentes. Quando indicada a avaliação do fluxo sanguíneo, o Doppler é utilizado na mesma sessão. O procedimento é indolor e costuma durar entre 20 e 40 minutos, a depender da complexidade da avaliação.

Existe algum preparo?

Não. A ultrassonografia da bolsa testicular não exige jejum, restrição alimentar ou qualquer preparo especial. O paciente pode chegar ao exame normalmente, sem necessidade de suspender medicações de uso contínuo, salvo orientação médica específica para casos particulares.

Qual é o próximo passo após o resultado da ultrassonografia da bolsa testicular?

Após o resultado da ultrassonografia da bolsa testicular, o especialista correlaciona os achados de imagem com o histórico clínico do paciente, os sintomas relatados e, quando aplicável, os resultados do espermograma. Essa análise conjunta é o que orienta a conduta: uma varicocele identificada no exame, por exemplo, pode levar à indicação de correção cirúrgica quando associada a alterações seminais significativas, enquanto achados incidentais e sem repercussão nos parâmetros de fertilidade costumam apenas ser acompanhados com exames periódicos.

Quando o objetivo da investigação é a fertilidade do casal, os resultados da ultrassonografia da bolsa testicular são analisados em conjunto com os exames da parceira, permitindo definir se o tratamento indicado envolve correção de uma causa específica, como a varicocele, ou se as técnicas de Reprodução Assistida se tornam o caminho mais indicado.

Em que casos as técnicas de Reprodução Assistida (FIV/ICSI) são indicadas?

As técnicas de Reprodução Assistida, como a Fertilização in Vitro (FIV) e a injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI), costumam ser indicadas quando alterações significativas nos parâmetros seminais persistem mesmo após o tratamento de causas identificadas na ultrassonografia da bolsa testicular, como a correção cirúrgica de uma varicocele. Também são consideradas em casos de azoospermia (ausência de espermatozoides no sêmen), quando a contagem espermática é muito baixa mesmo após tratamento ou quando o casal já tentou engravidar espontaneamente por tempo prolongado sem sucesso.

A decisão entre FIV e ICSI depende, principalmente, da qualidade e da quantidade dos espermatozoides disponíveis: a ICSI costuma ser indicada quando há poucos espermatozoides viáveis, já que a técnica permite a injeção direta de um único espermatozoide no óvulo. Essa definição é sempre individualizada e depende da avaliação conjunta do casal.

A ultrassonografia da bolsa testicular dói?

Não. A ultrassonografia da bolsa testicular é um exame indolor. O paciente pode sentir um leve desconforto pela pressão do transdutor sobre a região, especialmente se houver inflamação ou dor prévia no local, mas não há necessidade de anestesia nem qualquer procedimento invasivo durante a realização do exame.

Se você está em investigação de fertilidade ou tem dúvidas sobre exames masculinos relacionados à Reprodução Humana, agende uma consulta na Clínica BedMed.

 

Fontes:

Clínica de Reprodução Humana BedMed

Sociedade Brasileira de Urologia

Colégio Brasileiro de Radiologia