Veja se medicamentos como a prednisona ou a heparina podem auxiliar na implantação do embrião no endométrio.
A fase de implantação embrionária é um dos momentos mais delicados da Reprodução Humana, tendo em vista que, apesar de uma fertilização bem-sucedida e da qualidade embrionária preservada, a falha na implantação pode impedir que a gestação evolua.
Essa etapa ocorre quando o embrião, já em desenvolvimento, precisa se fixar no endométrio (revestimento interno do útero), o que exige condições imunológicas, hormonais e endometriais adequadas.
Por esse motivo, pesquisadores e especialistas investigam o uso de medicamentos imunomoduladores e anticoagulantes como estratégias auxiliares para melhorar as chances de sucesso.
Nesse contexto, cresce o interesse sobre os possíveis efeitos da prednisona na fase de implantação e da heparina na fase de implantação. Ambos os medicamentos têm propriedades que, em determinados casos, podem atuar de forma benéfica para facilitar a implantação do embrião no endométrio.
Índice
Prednisona
A prednisona é um corticosteroide sintético desenvolvido a partir do hormônio cortisol, que é produzido naturalmente pelas glândulas suprarrenais. O seu uso se popularizou no tratamento de diversas condições inflamatórias e autoimunes, como artrite reumatoide, asma e lúpus.
A prednisona age reduzindo as respostas do sistema imunológico, o que é útil em casos em que o organismo ataca os seus próprios tecidos ou rejeita agentes externos.
Quando falamos sobre a Reprodução Humana, estudos apontam que a prednisona na fase de implantação pode ajudar a modular a resposta imunológica da mulher, principalmente quando há suspeita de rejeição do embrião pelo próprio sistema imune materno.
Ao diminuir a atividade de células natural killer (NK) e regular citocinas inflamatórias, o medicamento pode colaborar com um ambiente mais receptivo no endométrio, favorecendo a implantação do embrião.
Heparina
A heparina (popularmente conhecida como clexane) é um anticoagulante da classe das heparinas de baixo peso molecular. Criada para prevenir e tratar tromboses, o seu objetivo é impedir a formação de coágulos sanguíneos, sendo amplamente utilizada em cirurgias, gestações de risco e pacientes com histórico de trombofilia.
Na Reprodução Assistida, a heparina na fase de implantação pode melhorar a irrigação sanguínea do endométrio, otimizando o fluxo necessário para que o embrião se fixe e receba nutrientes. Além disso, também há indícios de que ela pode ajudar em casos em que microtrombos (pequenos coágulos) prejudicam a receptividade endometrial.
Assim, em determinados perfis de pacientes, o uso da heparina na fase de implantação pode ser avaliado por um especialista.
Como a prednisona ou a heparina podem auxiliar na fase de implantação?
A prednisona na fase de implantação pode ser indicada quando há suspeitas de que o sistema imune esteja dificultando a fixação do embrião. Em mulheres com histórico de falhas repetidas na Fertilização in Vitro (FIV), exames imunológicos podem revelar uma atividade exacerbada das células NK ou desequilíbrios nas citocinas, justificando o uso do corticosteroide.
Por outro lado, a heparina na fase de implantação é comumente prescrita para mulheres com trombofilias hereditárias ou adquiridas, histórico de abortos de repetição ou alterações no fluxo sanguíneo uterino. A anticoagulação leve melhora o ambiente uterino e pode favorecer a fixação do embrião ao impedir o surgimento de microcoágulos que dificultam a vascularização local.
Em ambos os casos, o uso dos medicamentos deve ser prescrito por um médico especialista em Reprodução Assistida com base em exames clínicos e laboratoriais.
O protocolo conhecido como “Bondi protocol”, por exemplo, combina prednisona na fase de implantação com heparina na fase de implantação e tem sido testado em pacientes com repetidas falhas de FIV, apresentando resultados promissores, embora ainda faltem evidências conclusivas para ser amplamente adotado.
Quando a falha na implantação pode indicar o uso de prednisona ou heparina?
Falhas repetidas de implantação podem ter diversas causas, as quais precisam ser investigadas a fundo antes da definição do tratamento.
Entre as principais causas, temos:
- Alterações imunológicas (como células NK elevadas);
- Trombofilias hereditárias ou adquiridas;
- Baixa receptividade endometrial;
- Má qualidade embrionária;
- Disfunções hormonais;
- Fatores uterinos, como miomas, pólipos e aderências.
Em alguns desses casos, o uso de prednisona na fase de implantação ou de heparina na fase de implantação pode ser benéfico, sempre sob acompanhamento e prescrição médica.
Consulte um especialista em Reprodução Humana Assistida
A decisão de utilizar prednisona na fase de implantação ou heparina na fase de implantação deve ser baseada em exames específicos, histórico do casal e orientações médicas precisas. A automedicação é perigosa e pode comprometer não só a eficácia do tratamento como também a saúde da paciente.
Um médico fertileuta poderá realizar uma avaliação individualizada, com o apoio de uma equipe de especialistas, em uma clínica de reprodução humana, que acompanham cada etapa do processo. Isso garante mais segurança, um tratamento personalizado e maiores chances de sucesso reprodutivo
Fontes:
Clínica BedMed
Sacks G et al. Am J Reprod Immunol. 2022;88(5):e13616. PMCID: PMC9788304
