Procedimento pode ser unilateral ou bilateral, com impactos diferentes sobre a fertilidade e a saúde hormonal da paciente

Doenças ovarianas, como cistos volumosos, endometriomas (cistos endometrióticos) e alterações genéticas associadas a maior risco de câncer, podem levar à indicação de uma cirurgia de remoção dos ovários. Sendo assim, a ooforectomia é um procedimento que gera muitas dúvidas, especialmente entre mulheres em idade reprodutiva que se perguntam como a cirurgia pode afetar a fertilidade, o ciclo menstrual e os hormônios.

Entender o que é a ooforectomia, quando ela é indicada e quais alternativas existem para preservar a fertilidade ajuda a reduzir a ansiedade diante de um diagnóstico que exige essa conduta.

Saiba mais a seguir.

O que é a ooforectomia?

A ooforectomia é o procedimento cirúrgico que consiste na remoção dos ovários, glândulas responsáveis pela produção de óvulos e pelos principais hormônios sexuais femininos, o estrogênio e a progesterona. A cirurgia pode ser realizada de forma isolada ou associada à remoção das tubas uterinas (procedimento chamado de salpingooforectomia) ou ainda combinada à histerectomia (remoção do útero), dependendo da condição que motivou a indicação.

Quais são os tipos de ooforectomia? (unilateral e bilateral)

Existem dois tipos principais de ooforectomia, a depender da extensão da remoção dos ovários necessária. Na ooforectomia unilateral, apenas um dos ovários é removido, enquanto o ovário remanescente continua produzindo hormônios e liberando óvulos normalmente. Já na ooforectomia bilateral, ambos os ovários são retirados, o que interrompe completamente a produção hormonal ovariana e leva à chamada menopausa cirúrgica, independentemente da idade da paciente.

Quando a ooforectomia é indicada?

A ooforectomia é indicada em diferentes situações clínicas, que variam desde condições benignas até quadros que exigem conduta mais urgente. As principais indicações serão detalhadas a seguir.

Cistos e tumores ovarianos

Cistos volumosos e massas ovarianas suspeitas estão entre as indicações mais comuns de ooforectomia. Entretanto, nem todo cisto exige a remoção do ovário: cistos simples e de aspecto benigno costumam apenas ser acompanhados ou tratados com a remoção apenas do cisto (ooforoplastia).

A retirada completa do ovário é considerada quando o exame de imagem mostra características suspeitas, como componentes sólidos, septações ou vascularização anormal, especialmente em mulheres na pós-menopausa, faixa etária em que o risco de malignidade é maior.

Endometriose profunda

Em casos de endometriose profunda que compromete significativamente o ovário, formando os chamados endometriomas de grande volume ou recorrentes, a ooforectomia pode ser indicada quando outras abordagens cirúrgicas não são suficientes para controlar a doença e os sintomas associados, como dor pélvica crônica.

Cirurgia redutora de risco (mutações BRCA1 e BRCA2)

Mulheres com mutações genéticas nos genes BRCA1 e BRCA2 apresentam risco significativamente elevado de desenvolver câncer de ovário ao longo da vida. Nesses casos, a ooforectomia redutora de risco pode ser recomendada como estratégia preventiva, geralmente após a conclusão do planejamento reprodutivo, já que reduz de forma expressiva a probabilidade de desenvolvimento da doença.

Infecções pélvicas graves

Infecções pélvicas graves, como o abscesso tubo-ovariano que não responde ao tratamento com antibióticos, também podem exigir a remoção cirúrgica do ovário afetado, especialmente quando há risco de ruptura ou disseminação da infecção para outros órgãos.

Como a cirurgia de retirada dos ovários é feita?

A cirurgia de remoção dos ovários costuma ser realizada por videolaparoscopia na maior parte dos casos, técnica minimamente invasiva que utiliza pequenas incisões no abdome, reduzindo a dor no pós-operatório e acelerando a recuperação da paciente. Em situações específicas, como massas muito grandes ou suspeita de malignidade avançada, pode ser necessária a cirurgia aberta (laparotomia), que exige uma incisão maior. A escolha da técnica depende do tamanho da lesão, da suspeita diagnóstica e da experiência do cirurgião.

Recuperação e pós-operatório da ooforectomia

O pós-operatório da ooforectomia varia conforme a técnica utilizada. Quando realizada por videolaparoscopia, a recuperação costuma ser mais rápida, com alta hospitalar em até 24 a 48 horas. Dor leve a moderada na região abdominal, inchaço e cansaço são esperados nos primeiros dias e tendem a melhorar progressivamente.

São necessários quantos dias de repouso após a ooforectomia?

O período de repouso após a ooforectomia costuma variar entre duas e seis semanas, dependendo da técnica cirúrgica utilizada e da recuperação individual de cada paciente. Atividades leves podem ser retomadas em poucos dias, enquanto esforços físicos mais intensos e retorno ao trabalho costumam ser liberados de forma gradual, conforme orientação médica.

Há efeitos colaterais após a cirurgia de ooforectomia?

Sim, especialmente na ooforectomia bilateral. A interrupção da produção hormonal provoca sintomas de menopausa precoce, entre eles:

  • Ondas de calor e suores noturnos;
  • Alterações de humor;
  • Secura vaginal;
  • Distúrbios do sono;
  • Perda de densidade óssea no longo prazo;
  • Maior risco de alterações cardiovasculares no longo prazo.

Esses sintomas exigem acompanhamento médico contínuo, muitas vezes com a consideração de terapia de reposição hormonal.

Quem faz ooforectomia menstrua?

Depende do tipo de cirurgia. Mulheres submetidas à ooforectomia unilateral geralmente continuam menstruando normalmente, já que o ovário remanescente mantém a função hormonal e ovulatória. Já na ooforectomia bilateral, a menstruação cessa, uma vez que a produção dos hormônios responsáveis pelo ciclo menstrual é interrompida com a retirada de ambos os ovários.

O impacto pós-ooforectomia unilateral: é possível engravidar espontaneamente?

Sim, na maioria dos casos. Como o ovário remanescente continua liberando óvulos e produzindo hormônios, muitas mulheres conseguem engravidar espontaneamente após a ooforectomia unilateral. A avaliação da reserva ovariana do ovário remanescente, feita por meio de exames como a dosagem do hormônio anti-mülleriano e a contagem de folículos antrais por ultrassonografia, ajuda o especialista a estimar o potencial reprodutivo e orientar o planejamento da gestação, especialmente se a paciente pretende engravidar em um intervalo de tempo mais curto.

O impacto na ooforectomia bilateral: como fica o sonho da maternidade?

Após a ooforectomia bilateral, a gravidez espontânea deixa de ser possível, já que não há mais óvulos disponíveis nos ovários. Nesses casos, o caminho para a maternidade passa pelas técnicas de Reprodução Assistida, principalmente a Fertilização in Vitro (FIV) com uso de óvulos previamente congelados pela própria paciente, quando este planejamento foi feito antes da cirurgia, ou com óvulos doados, quando não houve preservação prévia.

A definição da abordagem depende de uma avaliação individual: o especialista analisa se há óvulos ou embriões congelados disponíveis, a idade da paciente, a saúde do útero para receber o embrião e o histórico da condição que motivou a ooforectomia, para então indicar entre FIV com material próprio criopreservado ou FIV com óvulos doados.

É possível preservar a fertilidade antes da ooforectomia?

Sim. Quando a cirurgia pode ser planejada com antecedência, como em casos de cirurgia redutora de risco ou tratamento oncológico não emergencial, o congelamento de óvulos é a principal estratégia utilizada para preservar a fertilidade. O processo envolve um período de estimulação ovariana com medicações específicas, seguido da coleta dos óvulos maduros, que são então congelados e armazenados para uso futuro em um ciclo de FIV.

Em situações em que já existe um parceiro definido e o casal deseja formar embriões antes da cirurgia, também é possível optar pelo congelamento de embriões, alternativa que pode ser discutida com a equipe médica de acordo com o tempo disponível até o procedimento e o desejo reprodutivo da paciente.

Se você foi diagnosticada com uma patologia que pode exigir remoção dos ovários ou tem dúvidas sobre preservação da fertilidade, agende uma consulta na Clínica BedMed.

 

Fontes

Clínica de Reprodução Humana BedMed

Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo)

Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA)