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Endometriose

- Publicado em: 03/12/2025
- Por: Dr. Bruno Bedoschi - CRM/SP 133748
- 11 min. de leitura
A endometriose é uma doença ginecológica crônica que pode causar dores intensas, alterações no ciclo menstrual e dificuldades para engravidar
A endometriose é uma patologia ginecológica que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva, comprometendo significativamente a qualidade de vida delas e destacando-se como uma das principais causas de infertilidade feminina. Muitas mulheres descobrem essa doença apenas quando enfrentam dificuldades para engravidar, o que evidencia a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico especializado.
Além do impacto na fertilidade, a endometriose pode provocar dores intensas, cólicas incapacitantes e outros sintomas que afetam diretamente a qualidade de vida da paciente. O fato de muitas vezes ser confundida com desconfortos menstruais comuns contribui para atrasar o diagnóstico, levando mulheres a conviverem por anos com a doença sem o tratamento adequado.
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Índice
O que é endometriose?
A endometriose é uma doença caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio — camada que reveste o interior do útero — em locais fora da cavidade uterina, como ovários, trompas, peritônio e até órgãos da pelve. Esse tecido responde às alterações hormonais do ciclo menstrual, o que pode gerar inflamação, dor e, em alguns casos, comprometimento da função reprodutiva.
Embora a intensidade dos sintomas varie de mulher para mulher, a endometriose é considerada uma doença crônica e progressiva. Isso significa que, sem acompanhamento, pode evoluir e trazer complicações mais sérias, como aderências pélvicas ou redução da reserva ovariana. Por isso, o diagnóstico e o tratamento adequado são fundamentais para preservar a saúde e a fertilidade da paciente.
De acordo com a Classificação Internacional de Doenças, a endometriose está registrada sob o código CID-10 N80, o que facilita sua identificação em prontuários médicos e documentos de saúde.

Quais são as possíveis causas da endometriose?
A causa exata da endometriose ainda não é totalmente compreendida pela medicina, mas existem diversas teorias que ajudam a explicar por que a doença se desenvolve em algumas mulheres. Nenhum desses fatores, isoladamente, justifica todos os casos, mas em conjunto eles podem esclarecer diferentes formas de manifestação da doença.
Menstruação retrógrada
A teoria mais difundida para explicar a endometriose é a menstruação retrógrada. Nesse processo, parte do sangue menstrual, em vez de ser expelido pelo colo do útero e pela vagina, retorna pelas trompas e se deposita na cavidade pélvica. Esse refluxo pode levar células endometriais a se fixarem em locais inadequados, como ovários ou peritônio, onde continuam a responder aos estímulos hormonais.
Porém, nem todas as mulheres com menstruação retrógrada desenvolvem endometriose, o que indica que outros fatores também estão envolvidos.
Implantação cirúrgica de tecido endometrial
Um possível fator que pode levar ao desenvolvimento da endometriose é a implantação acidental de tecido endometrial durante procedimentos cirúrgicos ginecológicos, como cesarianas ou histerectomias. Nesses casos, fragmentos do endométrio podem se fixar em incisões ou tecidos vizinhos.
Esse tipo de implantação pode explicar a presença de endometriose em cicatrizes cirúrgicas, o que, embora menos comum, é relatado em algumas pacientes.
Disseminação vascular ou linfática
Háuma hipóteses, para endometriose, de que células endometriais possam se espalhar pelo corpo pela corrente sanguínea ou pelo sistema linfático. Esse mecanismo justificaria casos mais raros de endometriose em locais distantes da pelve, como pulmões ou até diafragma.
Embora menos frequente, essa forma de disseminação mostra como a doença pode ter manifestações atípicas e reforça a necessidade de investigação individualizada.
Alterações no sistema imunológico
O desenvolvimento da endometriose pode vir de disfunções no sistema imunológico. Em situações em que a imunidade não consegue eliminar as células endometriais presentes em locais inadequados, essas células acabam sobrevivendo e se implantando. Além disso, resposta inflamatória exacerbada do organismo pode contribuir para o crescimento e manutenção das lesões endometrióticas, agravando os sintomas e dificultando o tratamento.
Histórico familiar
O histórico familiar é um fator importante no que diz respeito ao desenvolvimento da endometriose. Mulheres com parentes de primeiro grau diagnosticadas com o quadro apresentam maior risco de desenvolver a doença. Isso sugere a influência de predisposição genética.
Apesar disso, a hereditariedade não é determinante isoladamente, mas pode somar-se a outros fatores.
Quais são os sintomas da endometriose?
A endometriose pode se manifestar de formas diferentes em cada mulher. Enquanto algumas apresentam sintomas intensos, outras só descobrem a doença durante exames de rotina ou em investigações de infertilidade. Entretanto, reconhecer os sinais é essencial para buscar o diagnóstico precoce e o tratamento adequado.
Primeiros sinais da endometriose
Nos estágios iniciais da doença, alguns sintomas podem ser confundidos com alterações menstruais comuns. Entre eles estão:
- Cólica menstrual mais intensa e progressiva do que a habitual;
- Desconforto durante as relações sexuais;
- Alterações no fluxo menstrual, como menstruações mais abundantes ou irregulares.
Sintomas mais comuns
Com a progressão da doença, os sintomas da endometriose se tornam mais frequentes e incapacitantes. Os principais são:
- Dor pélvica crônica;
- Cólicas menstruais muito fortes;
- Dor ao evacuar ou urinar durante o período menstrual;
- Dificuldade para engravidar (infertilidade);
- Dor durante ou após as relações sexuais;
- Fadiga e indisposição frequentes;
- Alterações gastrointestinais, como inchaço abdominal e constipação intestinal crônica.
Como é feito o diagnóstico da endometriose?
O diagnóstico da endometriose pode ser um desafio, já que os sintomas muitas vezes se confundem com outras alterações ginecológicas. Por isso, é fundamental contar com a avaliação de um médico especialista em Reprodução Humana ou Ginecologia, que analisará o histórico clínico da paciente e solicitará exames específicos.
Os principais métodos diagnósticos incluem:
- Avaliação clínica para identificação dos sintomas, assim como avaliação do histórico menstrual, da intensidade das dores e de possíveis casos na família;
- Exame físico ginecológico;
- Ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal;
- Ressonância nuclear magnética da pelve;
- Videolaparoscopia diagnóstica.
Qual é a relação entre endometriose e infertilidade?
A endometriose é uma das principais causas de infertilidade feminina, afetando a qualidade de vida e o planejamento reprodutivo de muitas mulheres. Estima-se que entre 30% e 50% das pacientes com endometriose possam apresentar dificuldades para engravidar.
Isso acontece porque a doença pode alterar o funcionamento das tubas uterinas, dificultando o encontro do óvulo com o espermatozoide, além de poder causar inflamação pélvica crônica — o que prejudica a qualidade dos óvulos e a implantação embrionária. A endometriose também está associada ao desenvolvimento de aderências e cicatrizes, que comprometem a anatomia dos órgãos reprodutivos.
Apesar disso, muitas mulheres com endometriose conseguem engravidar, seja espontaneamente, seja com o auxílio de tratamentos especializados em Reprodução Assistida, como a FIV (Fertilização in Vitro) . O acompanhamento médico é essencial para identificar a melhor estratégia em cada caso.

Endometriose tem cura?
A endometriose é uma doença crônica, ou seja, não tem cura definitiva. Isso acontece porque o tecido endometrial pode voltar a crescer fora do útero, mesmo após tratamentos clínicos ou cirúrgicos. No entanto, existem diversas formas de controle que reduzem os sintomas e permitem que a paciente tenha qualidade de vida.
O tratamento e acompanhamento adequados ajudam a controlar a progressão da doença e aliviar os sintomas. Em muitos casos, a endometriose pode permanecer estável por longos períodos, principalmente quando acompanhada por uma equipe médica especializada.
Quais são os tratamentos para endometriose?
O tratamento da endometriose varia de acordo com a intensidade dos sintomas, a idade da paciente, o desejo dela de engravidar e a gravidade das lesões. A metodologia terapêutica pode incluir desde o uso de medicamentos até procedimentos cirúrgicos, sempre com acompanhamento médico especializado. O objetivo é aliviar a dor, controlar a evolução da doença e preservar a fertilidade da mulher.
Tratamentos medicamentosos
O tratamento medicamentoso geralmente é a primeira opção e tem como foco o controle dos sintomas. Entre os principais recursos estão:
- Anticoncepcionais orais combinados, que ajudam a interromper o ciclo menstrual e reduzir a progressão das lesões;
- Progestagênios, que suprimem a menstruação e aliviam a dor;
- Análogos do hormônio GnRH, usados em casos mais graves, que induzem uma menopausa temporária;
- Analgésicos e anti-inflamatórios para controlar a dor associada.
Cirurgia
Quando os sintomas não melhoram com medicamentos ou há complicações, a cirurgia pode ser indicada. A laparoscopia é o método mais comum, permitindo a remoção dos focos de endometriose com pequenas incisões e rápida recuperação. A cirurgia robótica, por sua vez, é uma técnica mais moderna e precisa, que oferece maior precisão na remoção das lesões, preservando ao máximo a fertilidade da paciente e reduzindo riscos de complicações.
Tratamentos para a infertilidade causada pela endometriose
A endometriose pode dificultar a obtenção da gravidez, mas existem tratamentos que auxiliam mulheres que desejam engravidar. Entre eles estão:
- Estimulação ovariana e inseminação artificial, indicadas para casos leves e moderados;
- Fertilização in Vitro (FIV), recomendada em situações mais complexas ou quando outros métodos não tiveram sucesso;
- Cirurgia para retirada de focos de endometriose, que pode melhorar as chances de concepção espontânea ou assistida.
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Quais são as complicações da endometriose?
A endometriose pode trazer uma série de complicações além da dor pélvica. Algumas delas impactam diretamente a saúde reprodutiva da paciente, enquanto outras afetam diferentes órgãos e a qualidade de vida da mulher. O acompanhamento médico é essencial para reduzir os riscos e tratar de forma adequada cada situação.
Impacto na fertilidade
A endometriose é uma das principais causas de infertilidade feminina. Isso acontece porque as lesões podem provocar inflamações, aderências e obstrução das tubas uterinas, além de prejudicar a qualidade dos óvulos. Mas é importante esclarecer que ter endometriose não significa que a mulher não possa engravidar. Muitas conseguem conceber espontaneamente, enquanto outras podem precisar de tratamentos de Reprodução Assistida, como a Fertilização in Vitro.
Complicações intestinais
Quando a endometriose atinge o intestino, a condição pode causar sintomas como dor abdominal intensa, constipação, diarreia, distensão abdominal e até sangramento nas evacuações durante o período menstrual. Em casos mais graves, pode ser necessário cirurgia para remoção de partes comprometidas do intestino.
Complicações urinárias
A endometriose pode afetar a bexiga e os ureteres. Nesses casos, os sintomas incluem dor ou ardência ao urinar, urgência urinária e presença de sangue na urina durante a menstruação. Se não tratada, pode levar até mesmo a obstruções urinárias e danos renais.
Dor nas relações sexuais
A dor durante as relações sexuais, chamada dispareunia, é um sintoma comum da endometriose profunda. Essa complicação pode impactar não apenas a saúde física da paciente, mas também sua vida emocional e a intimidade do casal, exigindo um acompanhamento multidisciplinar que inclua suporte psicológico.
Manifestaçãoes físicas gerais como fadiga
Além das manifestações físicas, a endometriose pode trazer consequências sistêmicas. Muitas pacientes relatam fadiga constante, enjoos e dificuldades para realizar atividades cotidianas. O conjunto de sintomas pode levar à queda significativa na qualidade de vida da mulher, impactando seu trabalho, estudos e relacionamentos pessoais.
Quem tem endometriose pode engravidar?
A endometriose não impede, por si só, que uma mulher engravide. Muitas pacientes conseguem ter uma gestação espontânea, especialmente nos casos mais leves da doença. No entanto, o quadro está associado a um risco maior de infertilidade — já que pode provocar alterações anatômicas e inflamatórias nos órgãos reprodutivos, afetando a ovulação, a qualidade dos óvulos e a passagem dos espermatozoides.
Nos casos em que a gravidez não acontece de forma espontânea, é possível recorrer a técnicas de Reprodução Assistida. Tratamentos como a inseminação artificial ou a Fertilização in Vitro (FIV) aumentam consideravelmente as chances de sucesso. A escolha da estratégia mais adequada depende do grau da endometriose, da idade da paciente e do tempo de tentativa para engravidar.
Quando procurar a ajuda de um médico?
É fundamental procurar um médico ginecologista, de preferência especialista em endometriose, sempre que houver suspeita, especialmente diante de sintomas persistentes. Dores menstruais muito intensas, que atrapalham a rotina, não devem ser consideradas normais e merecem investigação. Além disso, sinais como dor durante as relações sexuais, alterações intestinais ou urinárias no período menstrual, assim como dificuldade para engravidar são motivos importantes para buscar avaliação especializada.
O diagnóstico precoce faz toda a diferença na qualidade de vida da paciente e na escolha entre as opções de tratamento disponíveis. Quanto antes a endometriose for identificada, maiores serão as chances de controlar os sintomas, preservar a fertilidade da mulher e evitar complicações mais graves. Por isso, a recomendação é não adiar a consulta médica diante de qualquer desconforto que vá além do esperado durante o período menstrual.
Fontes:
Manual MSD;
Biblioteca Virtual em Saúde;
Rede D’or São Luiz;
