A espessura do endométrio é determinante para o desenvolvimento da gestação. Veja como ela é avaliada e definida durante a FIV.

O sucesso das técnicas de Reprodução Humana depende de uma série de fatores. É comum que muitas mulheres que passam por tratamentos de fertilidade se preocupem com a qualidade dos óvulos, a contagem ovariana e a saúde das trompas de Falópio, por exemplo. No entanto, um ponto frequentemente negligenciado, mas extremamente relevante, é o endométrio.

A espessura ideal do endométrio para a transferência embrionária pode fazer toda a diferença nos resultados de um tratamento de Fertilização in Vitro (FIV), sendo um dos critérios avaliados pelos especialistas antes da realização do procedimento.

Importância do endométrio para a Reprodução Humana

O endométrio é o tecido que reveste internamente o útero e passa por variações ao longo do ciclo menstrual. A cada mês, ele se prepara para receber um embrião, aumentando a sua espessura e se tornando mais vascularizado. Caso a fecundação não ocorra, esse tecido é eliminado durante a menstruação. O seu papel, portanto, está diretamente relacionado à capacidade de implantação do embrião e à manutenção de uma gravidez saudável.

Na Reprodução Assistida, o endométrio precisa estar em uma condição favorável para que o embrião consiga se fixar adequadamente. Por isso, médicos avaliam a sua aparência e a sua espessura antes da transferência. A espessura ideal do endométrio para a transferência embrionária é um dos critérios mais observados, pois alterações nesse sentido podem indicar dificuldades para que a implantação ocorra de forma eficaz.

Qual é o endométrio ideal para a transferência de embriões?

A avaliação para que se determine a espessura ideal do endométrio para a transferência embrionária acontece por meio de exames de imagem, principalmente ultrassonografias transvaginais realizadas em momentos específicos do ciclo.

Um endométrio considerado ideal para a transferência é aquele que apresenta boa espessura, aspecto trilaminar e receptividade compatível com o momento do ciclo.

Espessura adequada

A espessura ideal do endométrio para a transferência embrionária costuma estar entre 7 mm e 14 mm. Abaixo de 6 mm, os estudos mostram uma queda significativa nas taxas de implantação. Já endométrios muito espessos, acima de 15 mm, também podem indicar alterações hormonais ou inflamatórias.

A medição é feita por ultrassom, geralmente no dia em que a mulher começa a ovular ou no momento da preparação do útero com hormônios, dependendo do tipo de tratamento.

Aspecto normal

Além da espessura, o aspecto do endométrio também é avaliado. Um endométrio trilaminar, ou seja, com 3 linhas distintas visíveis ao ultrassom, é considerado mais receptivo.

Esse padrão mostra que o tecido está bem vascularizado e oxigenado, condições importantes para receber o embrião e permitir que ele se desenvolva com segurança.

Receptividade endometrial

Outro ponto importante é a receptividade endometrial, que pode ser avaliada com testes específicos, como o ERA (endometrial receptivity array). Esse exame analisa a expressão genética do endométrio para identificar o melhor momento para a transferência.

Esse teste não é recomendado para todas as pacientes, sendo que suas principais indicações são:

  • Falhas repetidas de implantação;
  • Ciclos de FIV anteriores sem sucesso, mesmo com transferência de embriões de boa qualidade;
  • Presença de endométrio fino;
  • Histórico de infertilidade sem causa aparente (ISCA).

Endométrio atrófico ou fino

Quando a espessura ideal do endométrio para a transferência embrionária não é atingida e o endométrio se mantém com espessura inferior a 6 mm, ele é considerado atrófico ou fino.

Isso pode dificultar a implantação e reduzir as chances de sucesso e tem como causas mais comuns distúrbios hormonais, inflamações, infecções prévias ou cirurgias uterinas.

Endométrio espesso

Por outro lado, um endométrio com espessura acima de 14 a 15 mm pode levantar suspeitas de hiperplasia, pólipos ou outras alterações.

Nesses casos, mesmo havendo boa vascularização, a receptividade pode estar comprometida, o que também exige investigação e acompanhamento médico.

Opções de tratamento para endométrio “inadequado”

Se a espessura ideal do endométrio para a transferência embrionária não for atingida naturalmente, o médico pode indicar tratamentos para melhorar esse quadro.

As opções incluem:

  • Uso de estrogênio via oral, via vaginal ou via transdérmica;
  • Aplicação de ácido acetilsalicílico (AAS);
  • Vasodilatadores, como sildenafil (via vaginal);
  • Infusão de plasma rico em plaquetas (PRP);
  • Estímulo com hormônios endometriais em ciclos naturais.

Reforçando sempre que o tratamento adequado e os possíveis medicamentos para que se alcance a espessura ideal do endométrio para a transferência embrionária serão definidos em conjunto com o médico especialista em Reprodução Humana que acompanha o seu caso.

Consulte um especialista em Reprodução Humana

A espessura ideal do endométrio para a transferência embrionária deve ser avaliada em uma clínica de Reprodução Assistida. Somente o médicos especialista em reprodução humana poderá identificar a condição do endométrio e indicar os melhores recursos para tornar o útero receptivo à implantação. A automedicação e os diagnósticos sem respaldo profissional podem atrasar ainda mais a conquista da gravidez desejada.

 

Fontes:

National Institutes of Health

Clínica BedMed