A partir do encontro do espermatozoide com o óvulo ocorre a fecundação. Saiba como avaliar a função e a saúde dos espermatozoides.

Quando se fala em infertilidade, é comum que a atenção recaia primeiro sobre a saúde da mulher. No entanto, os fatores masculinos também merecem destaque. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 30% dos casos de infertilidade têm origem exclusivamente masculina. Portanto, é fundamental ampliar o conhecimento sobre o papel do espermatozoide na fertilidade.

O espermatozoide é uma das peças mais importantes no processo reprodutivo. Sua qualidade, estrutura e quantidade influenciam diretamente nas chances de fecundação. Conhecer como ele é formado, como atua no organismo e quais fatores podem comprometer sua função é essencial para compreender os desafios relacionados à fertilidade masculina.

O que é o espermatozoide?

O espermatozoide é a célula reprodutiva masculina responsável por levar o material genético do homem até o óvulo feminino. Essa célula microscópica é produzida nos testículos e liberada durante a ejaculação, juntamente com o líquido seminal, compondo o sêmen.

Cada espermatozoide carrega 23 cromossomos, que se unem aos 23 cromossomos do óvulo no momento da fecundação. Essa combinação genética dará origem a um novo ser humano. A função do espermatozoide vai além do transporte de DNA: ele também precisa ser saudável, com boa forma e motilidade para chegar ao óvulo e conseguir penetrá-lo.

Como é a estrutura do espermatozoide humano?

O espermatozoide possui uma estrutura específica e muito eficiente para cumprir sua função. É composto por três partes principais — cabeça, peça intermediária e cauda —, cada uma com funções específicas que colaboram para o sucesso da fecundação.

Na cabeça, encontramos o núcleo com o material genético e o acrossomo, que contém enzimas que ajudam na penetração do óvulo. A peça intermediária é rica em mitocôndrias, que fornecem a energia necessária para o movimento. Já a cauda funciona como um propulsor, permitindo que o espermatozoide nade em direção ao óvulo no interior do aparelho reprodutivo feminino.

Como é formado o espermatozoide?

O processo de formação do espermatozoide é chamado de espermatogênese. Ele ocorre nos túbulos seminíferos dos testículos e leva cerca de 64 a 74 dias para ser concluído. Durante esse período, as células germinativas passam por várias divisões até se transformarem em espermatozoides maduros e aptos à fecundação.

Qual é a função do espermatozoide?

A principal função do espermatozoide é fecundar o óvulo feminino. Para isso, ele precisa percorrer o trato reprodutivo da mulher, atravessar barreiras naturais e se unir ao óvulo. É nesse momento que ocorre a união dos materiais genéticos, dando início à formação do embrião.

Além disso, o espermatozoide é o responsável por determinar o sexo biológico do bebê. Ele pode carregar um cromossomo sexual X ou Y. Quando se junta ao óvulo, que sempre carrega um cromossomo X, a combinação resulta em um embrião com sexo masculino (XY) ou feminino (XX).

Quais são as principais alterações nos espermatozoides?

Diversos fatores, ambientais, genéticos ou ligados ao estilo de vida, podem afetar os espermatozoides. Entre as alterações mais comuns, estão:

  • Azoospermia, ausência total de espermatozoides no sêmen;
  • Oligozoospermia, baixa concentração espermática;
  • Astenozoospermia, espermatozoides com pouca motilidade;
  • Teratozoospermia, alterações na morfologia dos espermatozoides;
  • Necrospermia, alta proporção de espermatozoides mortos.

Como avaliar a qualidade dos espermatozoides?

A análise da qualidade dos espermatozoides é essencial para investigar causas de infertilidade. Os principais exames incluem:

  • Espermograma com morfologia estrita de Kruger;
  • Teste de fragmentação do DNA espermático;
  • Ultrassonografia da bolsa testicular;
  • Dosagens hormonais;
  • Exames genéticos complementares.

É possível melhorar a qualidade dos espermatozoides?

Mudanças no estilo de vida podem ajudar bastante. Parar de fumar, reduzir o consumo de álcool, evitar o estresse e adotar uma alimentação equilibrada estão entre as recomendações mais comuns. A prática regular de exercícios e o controle do peso também contribuem para a melhora da qualidade seminal.

Além disso, em alguns casos, a suplementação com vitaminas e antioxidantes pode ser indicada por um médico. Em situações específicas, como varicocele ou infecções, o tratamento médico ou cirúrgico também pode melhorar os parâmetros do espermatozoide.

Qual é a relação entre os espermatozoides e a Reprodução Assistida?

Na Reprodução Assistida, a qualidade do espermatozoide é avaliada para definir a melhor técnica a ser adotada. Em casos leves de infertilidade, a inseminação intrauterina (IIU) pode ser suficiente. Já em casos mais graves de infertilidade, pode ser necessário recorrer à FIV (Fertilização in Vitro) ou à injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI).

Mesmo quando há alterações severas nos espermatozoides, clínicas de Reprodução Humana oferecem alternativas para viabilizar a gestação. Por isso, a avaliação precisa dessas células é essencial na Medicina Reprodutiva e no tratamento da infertilidade masculina.

Fontes:

Clínica BedMed

MDS Manuals