Entenda como o meio ambiente gestacional pode influenciar a expressão dos genes das crianças
A ovodoação é a forma com que mulheres que não podem ter filhos com os próprios óvulos possam realizar o sonho da maternidade. Essa técnica consiste na realização de uma FIV (Fertilização in Vitro) por meio da obtenção de gametas de uma doadora anônima, de uma parente em até quarto grau ou da doação compartilhada de óvulos.
Sendo assim, ainda que legal e afetivamente a criança seja filha da mulher que a gerou, não haverá descendência biológica. No entanto, existe uma área da biologia que estuda como os fatores do ambiente, desde o útero, podem influenciar no comportamento dos genes: a epigenética.
Nesse contexto, tem-se estudado, nos últimos anos, se existe algum tipo de relação entre epigenética e ovodoação, ou seja, se há modificação na forma como os genes da criança são interpretados de acordo com os fatores ambientais em seu desenvolvimento, levando à formação de características que o aproximem da mãe que a gerou.
No conteúdo a seguir, vamos entender um pouco mais sobre a relação entre epigenética e ovodoação. Acompanhe.
Índice
O que é epigenética?
A epigenética é uma área da biologia que estuda como fatores do dia a dia — como alimentação, estresse, sono, exposição a substâncias e até o ambiente intrauterino — podem influenciar a forma como os genes funcionam.
Na prática, isso significa que os genes não são um “destino fixo”. Eles funcionam mais como um conjunto de instruções que podem ser ativadas ou desativadas ao longo da vida, dependendo dos estímulos que o organismo recebe.
Por exemplo: duas pessoas podem ter genes semelhantes, mas desenvolver características diferentes porque tiveram hábitos, ambientes ou experiências distintas. Até durante a gestação, fatores como nutrição materna, tabagismo ou níveis de estresse já podem influenciar como os genes do bebê irão se expressar.
Ou seja, as características de um indivíduo — como aparência, risco de desenvolver certas doenças e até alguns aspectos do comportamento — não dependem apenas do DNA em si, mas também de como esse DNA é “lido” pelo organismo ao longo da vida.
Qual é o papel da epigenética na ovodoação?
A relação entre epigenética e ovodoação se estabelece quando, biologicamente, entendemos que a criança a ser gerada não herda os genes da mulher que recebeu o óvulo doado. No entanto, como os fatores ambientais podem influenciar a interpretação dos genes e a sua relação com o ambiente, a criança pode ter características que a aproximem da mãe.
Ou seja, quando estabelecemos a relação entre epigenética e ovodoação, entendemos que a criança gerada num útero receptor se torna diferente da criança que seria gerada no próprio útero da doadora do óvulo.
Além disso, quando falamos sobre epigenética e ovodoação, também devemos mencionar a preocupação com a promoção de um bom ambiente para que o bebê se desenvolva, evitando a combinação de fatores que podem levar ao desenvolvimento de determinadas doenças.
O que muda no DNA do embrião nos casos de ovodoação?
Como mencionado anteriormente, a relação entre epigenética e ovodoação não estabelece que a criança se torna biologicamente filha da doadora do óvulo, mas sim que terá algumas características que a relacionem à receptora de acordo com o meio ambiente oferecido por ela em seu desenvolvimento.
Entre essas alterações na expressão dos genes, podemos mencionar:
- Manifestação de doenças como daltonismo, hemofilia, alterações cardiorrespiratórias, doenças de comportamento, cognitivas, autoimunes, entre outras;
- Manifestações psicológicas, ou seja, a forma como a pessoa vai entender e lidar com os meios à sua volta durante a vida;
- Determinação de algumas características físicas.
Como o útero influencia na genética do bebê?
A relação entre epigenética e ovodoação se dá porque o ambiente uterino está inteiramente interligado ao organismo materno. Isso faz com que diversos fatores diferentes possam influenciar na expressão gênica do bebê, tais como:
- Exposição a hormônios e nutrientes na circulação sanguínea materna, que podem ter dosagens normais ou alteradas;
- Exposição a substâncias tóxicas consumidas ou com as quais a mãe convive;
- Estresse, ansiedade e outras alterações ligadas à saúde mental;
- Doenças cardiovasculares;
- Alterações no próprio sistema reprodutivo materno que podem dificultar o desenvolvimento, levando à ocorrência de determinados problemas;
- Exposição a microrganismos.
Aqui, podemos entender que a relação entre epigenética e ovodoação se estabelece muito mais na ideia de promover um ambiente para um desenvolvimento saudável para o bebê do que necessariamente esperar que ele tenha características relacionadas à mãe receptora.
Por isso, os cuidados já devem começar antes mesmo do tratamento de Reprodução Assistida, na adaptação do estilo de vida e nos cuidados com a saúde, pensando em todas as formas possíveis de trazer o bebê ao mundo de forma saudável e segura.
Fonte:
Clínica BedMed
