A doação de sêmen é um gesto altruísta que permite a realização do sonho da parentalidade. Entenda mais sobre o processo e quem pode doar.
A doação de sêmen é um ato de generosidade que pode transformar vidas. Para casais que enfrentam a infertilidade, mulheres que desejam uma gestação independente e casais homoafetivos femininos, esse gesto representa uma chance real de realizar o sonho de ter um filho. O processo envolve cuidados técnicos e éticos rigorosos, garantindo segurança tanto para quem doa quanto para quem recebe.
No Brasil, a doação de sêmen pode ser necessária em casos de infertilidade masculina grave, doenças genéticas hereditárias, ausência de parceiro masculino ou falhas em tentativas anteriores de Reprodução Assistida. Saber como funciona esse processo é importante para aqueles que desejam doar e para quem busca engravidar com sêmen de doador. Desde os critérios para ser doador até a legislação vigente, entender todo o funcionamento desse sistema é essencial.
Índice
Quem pode ser um doador de sêmen?
A pessoa que opta por realizar a doação de sêmen está contribuindo de forma significativa para a realização do sonho de diversas famílias — por isso, esse processo é feito com muita responsabilidade. Os bancos de sêmen e clínicas de Reprodução Humana seguem protocolos rígidos de seleção para garantir a qualidade dos gametas e a segurança de todos os envolvidos.
O futuro doador passa por diversas avaliações clínicas, psicológicas e laboratoriais. Isso é necessário para assegurar que ele está saudável, fértil e apto a realizar a doação de sêmen sem riscos. O objetivo é proteger não apenas o receptor e o possível bebê, mas também o próprio doador.
Estão aptos a doar homens:
- Com idade entre 18 e 45 anos;
- Sem histórico de doenças genéticas ou congênitas na família;
- Que não possuam doenças sexualmente transmissíveis;
- Que possuam disponibilidade para a realização dos exames de triagem;
- Que se comprometam a realizar 6 doações ou mais.
Como é o processo de doação de sêmen?
A doação de sêmen começa com o contato com uma clínica especializada ou banco de sêmen. O primeiro passo é a triagem inicial, na qual o possível doador é orientado sobre o processo e preenche um questionário detalhado sobre saúde, hábitos de vida e histórico familiar. A partir daí, o doador é orientado a manter abstinência sexual e de masturbação pelo período de 3 a 7 dias — tanto para os exames quanto para a coleta dos gametas.
Em seguida, são realizados exames laboratoriais e físicos, que incluem análises genéticas e testes para HIV, hepatites, sífilis e Zika, entre outros. Também é feito um espermograma para avaliar a qualidade do sêmen: a concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides. Caso tudo esteja dentro dos padrões exigidos, o doador é liberado para a coleta.
No dia da coleta, o sêmen é obtido por masturbação em um ambiente reservado dentro da clínica. O material é processado e congelado, sendo mantido em um banco de sêmen.
O que diz a legislação sobre a doação de sêmen?
A doação de sêmen no Brasil é regulamentada pela Resolução nº 2.320/2022 do Conselho Federal de Medicina (CFM), que trata sobre as normas éticas da Reprodução Assistida. De acordo com a resolução, a doação deve ser voluntária, anônima e sem fins lucrativos. É expressamente proibida qualquer forma de comercialização do sêmen.
Além disso, a legislação determina que o número de descendentes gerados por um mesmo doador seja controlado para evitar consanguinidade. Cada banco de sêmen deve manter um registro de doadores e monitorar os nascimentos oriundos de cada doação de sêmen. A regulamentação busca garantir a segurança do processo e proteger os direitos das famílias formadas por meio da Reprodução Assistida.
A doação de sêmen é anônima?
No Brasil, a doação de sêmen é estritamente anônima. Isso significa que a identidade do doador não pode ser revelada ao receptor nem à criança gerada por meio da técnica. Da mesma forma, o doador também não terá acesso a informações sobre quem receberá o sêmen. Essa regra protege ambas as partes e preserva a integridade do processo.
Existem riscos na doação de sêmen?
A doação de sêmen é um procedimento seguro. O processo de coleta é simples, não invasivo e realizado em ambiente controlado. O maior cuidado está na triagem do doador e na análise laboratorial para garantir que não haja transmissão de doenças infecciosas ou genéticas.
Do lado do receptor, também existem diversos protocolos de segurança. O sêmen doado é mantido em quarentena e submetido a novos exames antes de ser aprovado para uso clínico. As clínicas especializadas seguem protocolos internacionais e oferecem a devida estrutura para garantir a máxima confiabilidade no tratamento.
Quem pode se beneficiar de sêmen doado?
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 30-40% dos casos de infertilidade conjugal têm origem em fatores masculinos. Nesses casos, a doação de sêmen pode ser a solução para alcançar a gestação. Além disso, mulheres que buscam a maternidade solo ou casais homoafetivos femininos também se beneficiam dessa possibilidade de tratamento.
Os casos mais comuns de indicação para o uso de sêmen doado incluem:
- Homens com azoospermia ou espermatozoides inviáveis;
- Casais com falhas repetidas em tratamentos com uso de sêmen do parceiro;
- Risco de transmissão de doenças genéticas;
- Mulheres que desejam engravidar sem um parceiro (maternidade solo ou independente);
- Casais homoafetivos femininos.
Quais são as taxas de sucesso de gravidez com sêmen doado?
A doação de sêmen é uma técnica bem estabelecida na Medicina Reprodutiva e oferece boas chances de sucesso, cujos índices variam conforme o tipo de tratamento escolhido e a idade da mulher. Em ciclos de inseminação intrauterina (IIU), as taxas giram em torno de 15 a 20% por tentativa. Já na Fertilização in Vitro (FIV), podem chegar a 60%, dependendo das condições clínicas da paciente.
Esses números mostram que a doação de sêmen é uma alternativa viável e segura para quem deseja engravidar, mesmo diante de dificuldades reprodutivas.
Fontes:
Conselho Federal de Medicina (CFM)
Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA)
