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tricomoníase

A tricomoníase é uma doença sexualmente transmissível (DST) muito prevalente em nossa população (sua incidência no Brasil varia entre 20 a 40%). Ela é ocasionada por um protozoário denominado Trichomonas vaginalis. Geralmente ocorre um intervalo de 4 a 28 dias (chamado de período de incubação) desde o momento da infecção até o surgimento dos primeiros sintomas. A principal queixa da paciente é a detecção de um corrimento abundante (geralmente esverdeado), bolhoso e com mau cheiro, porém existem algumas pacientes que podem ser portadoras desse protozoário e não apresentarem nenhum sintoma (assintomáticas). Além disso, como essa doença pode acometer outros órgãos, tais como a uretra, a bexiga ou as glândulas acessórias, é muito comum o surgimento de coceira ou irritação na região da genitália, dor durante a penetração ou durante o ato sexual, além de sintomas urinários (ardor para urinar principalmente).

Por se tratar de uma DST, é fundamental que toda paciente portadora de tricomoníase colete todas as demais sorologias para outras DSTs, como por exemplo: HIV, herpes, gonorreia, sífilis, hepatite B e hepatite C. Essa infecção pode acometer homens e mulheres, porém o diagnóstico na população feminina é mais comum (por realizarem mais exames de rotina periódicos).

Vale lembrar que o diagnóstico dessa doença não deve ser feito apenas pela análise clínica do corrimento, mas sim pela realização do exame a fresco – coleta do material e avaliação microscópica do protozoário flagelado (que se movimenta na lâmina). Curiosamente, a taxa infecção por esse protozoário apenas é detectada em relações entre homem/mulher ou mulher/mulher. A transmissão entre homem/homem é rara e o motivo ainda é desconhecido.

Assim como todas as doenças sexualmente transmissíveis, é fundamental utilizar preservativo durante todas as relações sexuais para evitar a infecção por esse protozoário. A boa notícia é que a tricomoníase tem tratamento, mas é fundamental que sempre seja realizado pelo casal.

Quais são os sintomas da tricomoníase?

Sexo feminino 
Muitas mulheres são assintomáticas, mas cerca de 75% delas apresentam sintomas geralmente durante ou após o período menstrual. O quadro clínico mais comum é surgimento do corrimento de coloração amarelada ou esverdeada, de odor fétido (semelhante ao odor de “peixe podre”), associado a coceira na genitália e dor na relação sexual. Ao exame especular (aparelho utilizado para coleta do exame preventivo – popularmente chamado de “bico de papagaio”) é possível evidenciar a presença de pequenos pontos avermelhados no colo do útero, sugestivos de pequenos pontos hemorrágicos ocasionados pela inflamação do colo uterino (colpite).

Caso a doença não seja tratada, pode ocorrer um aumento na incidência de outras infecções genitais. Já nas gestantes, a tricomoníase pode causar ruptura prematura das membranas ovulares (“ruptura da bolsa”) e aumento do trabalho de parto prematuro.

Para detectar a presença do Trichomonas vaginalis é necessário realizar o exame a fresco do conteúdo vaginal (evidenciando o protozoário flagelado no microscópio). O teste com fita de pH não é diagnóstico, mas auxilia na elaboração da hipótese (a tricomoníase apresenta pH > 4,5).

Sexo masculino     
Dificilmente o homem irá apresentar algum sintoma correlacionado com a infecção pelo Trichomonas vaginalis, mas em caso positivo, pode ocorrer a uretrite – inflamação da uretra – gerando dor para urinar ou ejacular, corrimento fétido e irritação na parte interna do pênis.

Devido à dificuldade em identificar a tricomoníase, é importante que a rotina ao ginecologista e ao urologista seja constante, evitando que a infecção se dissemine e acabe se tornando um problema ainda maior futuramente.

Tratamento para tricomoníase

tricomoníaseO método mais eficaz para o tratamento do Trichomonas vaginalis consiste na utilização de antibiótico por via oral. Nesses casos, a aplicação de pomada ou gel vaginal auxilia na diminuição dos sintomas, porém não consegue eliminar completamente o protozoário. O principal antibiótico utilizado para tratamento da tricomoníase é o Metronidazol – duração de 7 dias.

Durante o tratamento é fundamental evitar ingerir bebida alcoólica devido a sua possível interação com o antibiótico – efeito chamado de antabuse (mal-estar, náuseas, vômitos e sensação de gosto metálico na boca). Além disso, é de bom tom evitar relações sexuais durante esse período também.

Na gestação é preconizado o uso do mesmo antibiótico após o término do primeiro trimestre da gestação. Isso não irá afetar a formação morfológica ou o crescimento e desenvolvimento do bebê. No primeiro trimestre, a gestante pode realizar duchas vaginais com ácido acético para promover melhora dos sintomas.

O tratamento deve sempre ser feito pelo casal e é fundamental a avaliação de um especialista para identificar se existem outras possíveis infecções genitais associadas. Caso você apresente algum corrimento, não realize o tratamento por conta própria. Muitas vezes a infecção pode ser muito mais grave do que parece.

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