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Fertilização In Vitro



reprodução assistida Você sabe como é feita a fertilização in vitro?

Para o entender o tratamento de fertilização in vitro e como esse tratamento pode ajudar casais com infertilidade, é importante entender como a gravidez ocorre naturalmente. Para a concepção ocorrer naturalmente, o homem precisa ejacular o sêmen, o liquido contendo os espermatozoides, dentro da vagina da mulher próximo à data da ovulação, quando os ovários liberam um óvulo. A ovulação é um evento complexo controlado pela hipófise, glândula localizada na base do cérebro. A hipófise libera o Hormônio Folículo-Estimulante (follicle-stimulating hormone – FSH), hormônio que estimula o crescimento de folículos nos ovários. O folículo produz estrogênio e contém um óvulo em seu interior. Quando o óvulo é maduro, a hipófise libera o Hormônio Luteinizante (luteinizing hormone – LH) que causa a rotura do folículos e liberação do óvulo maduro.

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Após a ovulação, o óvulo é puxado pela trompa uterina. A fertilização do óvulo pelo espermatozoide ocorre dentro da trompa uterina, portanto o espermatozoide deve ser capaz de atravessar a vagina, colo uterino, corpo uterino, até a trompa uterina, onde precisa penetrar o óvulo para fertilização do mesmo. O óvulo fertilizado continua seu caminho pela trompa uterina até a cavidade uterina e implanta no endométrio, onde continua o processo de desenvolvimento. 

Fertilização In Vitro

Existem vários fatores que podem comprometer a união do óvulo com o espermatozóide. Felizmente, técnicas de reprodução assistida, tais como a fertilização in vitro podem ajudar. A Fertilizacão In Vitro é o método de reprodução assistida em que o espermatozóide do homem e o óvulo da mulher são fertilizados fora da trompa uterina em um ambiente laboratorial. Um ou mais óvulos fertilizados (embriões) podem ser transferidos para o útero da mulher, onde eles podem implantar no endométrio e desenvolver. Embriões excedentes podem ser criopreservados (congelados) para uso futuro. Inicialmente, a Fertilização In Vitro era utilizada para tratar pacientes com condições tubárias, tais como obstrução, ausência, bloqueio tubário. Hoje em dia, a Fertilização In Vitro é utilizada para o tratamento de muitas causas de infertilidade, tais como endometriose e fator masculino, ou quando um casal apresenta infertilidade sem causa aparente (ISCA). Os passos básicos da Fertilização In Vitro são o estimulação ovariana, coleta de óvulos, fertilização in vitro, cultura dos embriões e transferência dos embriões. Esses passos serão discutidos em detalhes na seção.

Estimulação Ovariana para fertilização in vitro

Durante a estimulação ovariana, também conhecida como Indução da Ovulação, medicamentos são utilizados ​​para estimular o crescimento de vários óvulos nos ovários ao invés do crescimento de um único óvulo que normalmente se desenvolve a cada mês. Vários óvulos são necessários pois alguns óvulos não fertilizam ou não desenvolvem normalmente após a fertilização.

Os medicamentos utilizados para a estimulação ovariana:

• Gonadotrofina Menopáusica Humana Altamente Purificada

• Hormônio Folículo-Estimulante (FSH)

• Hormônio Luteinizante (LH) (usado em conjunto com o FSH)

• Gonadotrofina Coriônica Humana (hCG)

• Citrato de Clomifeno

Medicamentos para prevenir a ovulação prematura:

• Análogo do Hormônio Liberador de Gonadotrofina (GnRH)

• Antagonistas da GnRH

O citrato de clomifeno é administrado oralmente, enquanto os outros medicamentos listados são administradas por injeção. Este medicamento oral é menos potente do que os medicamentos injetáveis ​​e não é muito utilizado em ciclos de reprodução assistida. Não existe evidência científica de que um medicamento injetável é superior ao outro.

O tempo é fundamental para um ciclo de Fertilizacão In Vitro. Os ovários são avaliados durante o tratamento com exames de ultrassom transvaginal para acompanhar o desenvolvimento dos folículos ovarianos. Amostras de sangue são tiradas para medir a resposta ao tratamento de estimulação do ovário através da dosagem hormonal. Normalmente, os níveis de estrogênio aumentam à medida que os folículos se desenvolvem, e os níveis de progesterona são baixos até que a ovulação ocorra.

Utilizando os exames de ultrassom e exames de sangue, o médico pode determinar quando os folículos estão prontos para a retirada dos óvulos. Geralmente, oito a 14 dias de estimulação são necessários. Quando os folículos estiverem prontos, o hCG ou outros medicamentos são utilizados. O hCG substitui o pico de LH natural da mulher e faz com que a fase final da maturação dos óvulos ocorram,  para que os mesmos apresentem capacidade de serem fertilizados. Os óvulos são retirados antes da ovulação ocorrer, geralmente 34 a 36 horas após a injeção de hCG.

Vale lembrar que até 20% dos ciclos de Fertilização In Vitro podem ser cancelados antes da retirada dos óvulos. Os ciclos de Fertilizacão In Vitro podem ser cancelados por diferentes razões, sendo a principal o desenvolvimento de um número insuficiente de folículos ovarianos. As taxas de cancelamento devido à baixa resposta aos medicamentos para estimulo ovariano aumentam com a idade de uma mulher, especialmente depois dos 35 anos. Quando os ciclos são cancelados devido a uma má resposta, novas estratégias de estimulação ovariana podem ser utilizadas para promover uma melhor resposta em uma tentativa futura. Ocasionalmente, um ciclo pode ser cancelado para reduzir o risco de síndrome da hiperestimulação ovariana (SHO). O tratamento com o agonista de GnRH ou antagonista reduz a possibilidade da liberação prematura do hormônio LH pela hipófise, e, assim, reduz o risco de ovulação prematura. No entanto, picos espontâneos de LH e ovulação prematura podem ocorrer em uma pequena porcentagem dos ciclos de reprodução, apesar do uso desses medicamentos. Quando isto ocorre, o ciclo normalmente é cancelado. A coleta de óvulos da cavidade peritoneal após a ovulação não é uma técnica eficiente.

Coleta de Óvulos para a fertilização in vitro

A coleta de óvulos geralmente é realizada através da punção ovariana com agulha guiada por ultrassom transvaginal para aspiração dos folículos em desenvolvimento, um procedimento cirúrgico de pequeno porte que pode ser realizado em regime ambulatorial. A anestesia geral é realizada durante o procedimento e alguns medicamentos analgésicos são administrados.

Os óvulos são aspirados dos folículos através da agulha que está acoplada a um dispositivo de sucção. A coleta de óvulos geralmente pode ser concluída em menos de 30 minutos. Algumas mulheres apresentam cólicas no dia da coleta, mas os sintomas geralmente desaparecem no dia seguinte. Sensação de plenitude e/ou pressão abdominal pode durar várias semanas após o procedimento porque os ovários continuam com volume aumentado.

Fertilização e Cultivo do Embrião In Vitro

Após a coleta dos óvulos, avalia-se a maturidade e qualidade dos mesmos no laboratório. Óvulos maduros são colocados em um meio de cultura específico e são mantidos na incubadora para aguardar pelo momento ideal da fertilização com o espermatozóide.

Os espermatozóides são coletados, geralmente através da masturbação ou com o uso de um preservativo específico durante o ato sexual. Além disso, os espermatozóides podem ser obtidos diretamente dos testículos ou dos epidídimos em homens que não possuem espermatozóides no sêmen ejaculado devido a falta de produção ou a uma obstrução, por exemplo após vasectomia.

A fertilização pode ser realizada através de duas maneiras diferentes. Na fertilização in vitro clássica, espermatozóides móveis são colocados ao redor de cada óvulo e são incubados durante um dia. Na injeção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI), um único espermatozóide é escolhido e injetado em cada óvulo. Atualmente a maioria dos tratamentos de fertilização in vitro utiliza a técnica de ICSI. Essa técnica geralmente é utilizada em casos em que a fertilização in vitro clássica pode estar associada com redução das taxas de sucesso, por exemplo em homens com alterações importantes no espermograma ou casais com história prévia de falha de fertilização em um ciclo de tratamento prévio. As taxas de gravidez e nascidos vivos são semelhantes quando as duas técnicas são comparadas em casais sem alterações que justifiquem o uso de uma técnica específica.

A visualização dos dois pró-núcleos no dia seguinte confirma a fertilização do óvulo. Um dos pró-núcleos é derivado a partir do óvulo e  outro do esperma. Normalmente, cerca de 75% a 80% dos óvulos maduros fertilizam após fertilização in vitro clássica ou ICSI. Menores taxas de fertilização podem ocorrer se o sêmen e/ou a qualidade dos ovos estiverem alteradas. Dois dias após a coleta dos óvulos, o óvulo fertilizado recebe o nome de pré-embrião e apresenta em média 4 células.

No terceiro dia de desenvolvimento, o embrião geralmente apresentará aproximadamente 8 células. No quinto dia, forma-se uma cavidade de líquido no embrião, e a placenta e os tecidos fetais começam a se separar. Um embrião nesse estágio é chamado de blastocisto. Os embriões podem ser transferidos para o útero, a qualquer momento entre o primeiro e o sexto dia após a coleta dos óvulos. Se o desenvolvimento dos embriões continuar de maneira bem sucedida dentro do útero, a implantação dos embriões no endométrio pode ocorrer durante 6 a 10 dias após a coleta dos óvulos.

O Assisted Hatching (ou Eclosão Assistida) é um procedimento em que a zona pelúcida, camada que reveste o embrião, é rompida antes da transferência para facilitar a implantação do mesmo no endométrio. Embora a Eclosão Assistida não demonstrou aumentar a taxa de nascidos vivos, esse procedimento pode ser utilizado para mulheres mais velhas ou casais que tiveram falhas de fertilização em tratamentos de fertilização in vitro anteriores.

O diagnóstico genético pré-implantacional (PGD) é realizado em alguns casos para pesquisa de doenças genéticas hereditárias. No PGD, uma ou algumas células do embrião em desenvolvimento são removidas e testadas para uma doença genética específica. Os embriões que não têm o gene associado com a doença são selecionados e transferidos para o útero.

Fonte: You Tube

Quer saber mais sobre Fertilização In Vitro? Separamos textos interessantes para sua leitura:

1) Avaliação do casal infértil: Uma análise racional – Clique aqui e leia mais

Fonte: Revista da Associação Médica Brasileira

2) Guideline para abordagem da infertilidade conjugal  – Clique aqui e leia mais

Fonte: Sociedade Brasileira de Reprodução Humana

Preparando-se para a Fertilizacão In Vitro

A preparação para o tratamento de fertilização in vitro é tão importante quanto o próprio tratamento. Testes de avaliação da reserva ovariana devem ser solicitados a fim de estimar como os ovários responderão às medicações de estimulação ovariana. As taxas de sucesso do tratamento pode ser reduzidas, por exemplo, se os testes demonstrarem diminuição da reserva ováriana. A reserva ovariana pode ser determinada por qualquer um destes exames: níveis de FSH e estradiol dosados no segundo ou terceiro dia do ciclo menstrual, dosagem dos níveis de HAM (hormônio anti-mülleriano), ou contagem do número de pequenos folículos nos ovários (contagem de folículos antrais). Níveis elevados de FSH e/ou estradiol, níveis baixos de HAM, ou baixa contagem de folículos antrais, estão associados à redução das taxas de gravidez, especialmente em mulheres com idade superior a 35 anos.

Alterações da cavidade uterina, como miomas, pólipos, ou septo uterino podem precisar de tratamento cirúrgico antes do tratamento de FIV. A hidrossalpinge, trompa de Falópio bloqueada e cheia de fluido, reduz o sucesso da FIV. A Sociedade Americana de Reprodução Humana recomenda a remoção da trompa afetada antes da fertilização in vitro.

O sêmen é testado através do exame de espermograma. Se alterações do espermograma são identificados, a avaliação específica da fertilidade masculina é necessária para avaliar se existem problemas passíveis de correção medicamentosa ou cirúrgica ou outros problemas de saúde podem estar relacionados. Grandes avanços foram feitos no tratamento da infertilidade masculina e a FIV pode ajudar alguns homens que antes eram considerados estéreis.

Questões de estilo de vida devem ser avaliadas antes da FIV. Fumar, por exemplo, pode reduzir as chances de sucesso para gravidez de uma mulher em até 50%. Mulheres obesas apresentam redução da taxas de nascidos vivos, devido a uma combinação de menores taxas de gravidez e maiores taxas de aborto. Todos os medicamentos, incluindo suplementos, deve ser revisados, uma vez que alguns podem ter efeitos prejudiciais. Álcool e drogas podem ser prejudiciais, e o consumo excessivo de cafeína deve ser evitado. As mulheres devem tomar vitaminas pré-natais que contenham pelo menos 400 microgramas de ácido fólico antes de iniciar um ciclo de FIV, pois o ácido fólico tomado antes da gravidez reduz o risco de defeitos do tubo neural, como a espinha bífida.