Select language



Sindrome alcoolica fetal

Apesar de pouco discutido, o consumo de bebida alcoólica durante a gravidez é muito mais comum do que parece e pode gerar graves complicações neonatais, como por exemplo, a síndrome alcoólica fetal (SAF). De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de um milhão de bebês nascem anualmente com essa enfermidade, dos quais cerca de 50 mil casos ocorrem no Brasil. Devido à gravidade da situação, foi criado um dia especial para a conscientização contra a Síndrome Alcoólica Fetal – celebrado no dia 9 de setembro, a fim de alertar mães, familiares e especialistas sobre as possíveis complicações decorrentes do abuso da ingestão de bebidas alcoólicas durante o período gestacional.

Essa enfermidade acomete exclusivamente as gestantes que consomem álcool durante a gravidez. A prática pode ocasionar diversas malformações fetais, especialmente correlacionadas com um déficit no desenvolvimento neurológico, cognitivo e mental do bebê. Dependendo do nível de ingestão ou das características inerentes da gestante pode ocorrer um aumento na incidência de abortamento, óbito fetal tardio ou diversas outras deficiências físicas. Por isso, a OMS recomenda que nenhuma ingestão de bebida alcoólica seja realizada durante a gravidez.

Estudos dentro da área de psiquiatria relatam que apenas 5% das mulheres abandonam a prática de ingerir álcool quando descobrem que estão grávidas e 25% continuam fazendo o uso, mesmo que em pequenas quantidades. Apesar de ainda não ter um nível mínimo de segurança com relação à ingestão de bebidas alcoólicas durante a gravidez, os obstetras não indicam o consumo seguro de nenhuma bebida que contenha álcool em sua composição. Essa orientação também deve ser levada a sério entre as mulheres que planejam engravidar – a recomendação atual é que essa ingestão deva ser evitada cerca de 3 meses antes do período gestacional.

Quais são os sinais ou sintomas da síndrome alcoólica fetal?

As principais complicações ocasionadas pela ingestão abusiva de álcool durante a gravidez fazem parte do que chamamos de “Transtorno do Espectro Alcoólico Fetal” – que envolve alteração físicas e psíquicas.

Os problemas físicos acometem principalmente a região facial, sendo descritos a seguir:

  • Fácies plana;
  • Fissuras palpebrais curtas (olhos abertos);
  • Nariz curto;
  • Filtro nasal longo;
  • Hipoplasia maxilar (desenvolvimento inadequado – pequeno – da maxila do bebê);
  • Lábio superior fino.

alcool-na-gravidez

Já os problemas psíquicos são:

  • Anormalidades neurológicas;
  • Atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor;
  • Distúrbio de comportamento;
  • Prejuízos intelectuais.

Além disso, é muito comum que ocorra retardo do crescimento intrauterino e eventuais complicações na vida adulta da criança que foi acometida durante a gravidez – incluindo relatos de alcoolismo e dependência química.

Como o álcool age sobre o organismo do bebê?

Ao ingerir o álcool, o líquido é absorvido e cai direto na circulação sanguínea, passando por um processo de metabolização dentro do fígado – o álcool transforma-se em acetaldeído, produto tóxico resultante da primeira fase do metabolismo do álcool, apresentando alta capacidade de difusão em tecidos e líquidos corporais.

No corpo da gestante, esse metabólito atravessa a placenta por meio da circulação placentária, chegando à circulação fetal e, consequentemente, ao líquido amniótico. Após cerca de uma hora da ingestão da bebida alcoólica, os níveis de etanol são equivalentes tanto no sangue materno como no sangue fetal. Entretanto, o organismo do feto ainda não está adaptado para a correta metabolização do álcool, fazendo com que a concentração do etanol permaneça elevada no sangue fetal por mais tempo. Dessa forma, pequenas quantidades de álcool podem causar males ao feto – principalmente ao tecido do sistema nervoso central que está em formação.

síndrome alcoólica fetal

É importante ressaltar que todos os tipos de bebidas alcoólicas são igualmente prejudiciais, podendo ser vinho, cerveja, vodka ou derivados, mesmo que consumidas em pequenas quantidades e em qualquer momento do período gestacional.

Como prevenir a SAF?

A síndrome é 100% atribuída à ingestão de álcool durante a gravidez, sendo, portanto, 100% evitável com a não ingestão desse tipo de bebida durante a gestação. Portanto, a única maneira de não expor o feto ao risco de desenvolver essa doença é não consumir bebidas alcoólicas. A SAF é a primeira causa de deficiência mental que pode ser evitada.

De acordo com pesquisas, há fatores sociais e psicológicos que estão relacionados com o surgimento da SAF, como por exemplo:

  • Relacionamento familiar instável;
  • Abuso sexual ou violência física;
  • Ausência de acompanhamento especializado.

A prevenção também pode ser realizada com questionamentos e conversas entre obstetras e pacientes. Por isso, é fundamental que você mantenha um bom contato com seu médico durante toda a gravidez, questionando-o sempre que houver dúvidas com relação a assuntos específicos como esse!

Qual é o tratamento da síndrome alcoólica fetal?

Não há tratamento para a SAF e nem para as complicações originadas por essa síndrome. O único método eficaz é evitar o uso do álcool durante a gestação.
Em determinados casos é possível fazer um tratamento mais intenso com uso de medicamentos ou terapias comportamentais, porém nem sempre a resposta é adequada.
Em casos de complicações clínicas, como convulsões ou cardiopatias, é necessário o tratamento e acompanhamento especializado.

É notório que essa patologia pode trazer graves consequências de caráter definitivo para o recém-nascido, como para a família. As mesmas podem ser evitadas com mudanças de hábitos sobre o consumo do álcool no período gestacional.
Dê ao seu filho a oportunidade de nascer saudável. Lembre-se sempre disso antes de pensar em beber álcool durante a gravidez!





Deixe um comentário