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retirada cirúrgica do útero

Histerectomia é um termo utilizado para definir a retirada cirúrgica do útero. É uma das cirurgias ginecológicas mais realizadas em âmbito mundial, sendo a mais praticada nos Estados Unidos, com cerca de 800.000 cirurgias por ano.

De acordo com dados históricos, a primeira histerectomia vaginal foi feita em 1508 na cidade de Bolonha e, desde então, houve um intenso avanço da técnica e das vias de acesso cirúrgico.

Existem diversas indicações para esse tipo de procedimento, sendo as principais: câncer do colo do útero em estágio avançado, câncer de endométrio (corpo do útero), sangramentos disfuncionais sem melhora com tratamento clínico, hemorragias obstétricas incontroláveis, prolapso uterino, infecção pélvica acentuada ou miomas uterinos (em alguns casos específicos).

Segundo dados publicados na Capes, cerca de 30% a 60% das mulheres em idade reprodutiva apresentam miomas uterinos, fazendo desse número o motivo pelo qual a histerectomia é a cirurgia ginecológica mais realizada no Brasil.

Exercida por um ginecologista, a histerectomia é um recurso utilizado não somente em casos de patologias avançados, mas também como medida preventiva de outras doenças.

As vias cirúrgicas da histerectomia dependem da análise médica individualizada para cada paciente, sendo extremamente fundamental esclarecer todas as dúvidas da paciente antes da realização do procedimento.

Basicamente, podemos dividir a histerectomia pela técnica cirúrgica e pela via de acesso:

  • Classificação pela técnica cirúrgica:

Histerectomia total: consiste na retirada completa de todo o útero, incluindo o corpo e o colo do útero;

Histerectomia subtotal: nesse tipo de procedimento, é removido apenas o corpo do útero, mantendo o colo do útero íntegro;

Histerectomia radical: é removido todo o útero, os tecidos e ligamentos ao lado do útero, o colo do útero e a parte superior da vagina. Geralmente só é feito esse tipo de cirurgia quando existe uma neoplasia maligna (câncer) em estágio avançado.

  • Classificação pela via de acesso:

Histerectomia abdominal: realizada por meio de um corte no abdômen (muito semelhante com a incisão Pfannenstiel – de parto cesárea), por onde é retirado o útero da paciente. Aproximadamente 65% dos casos são realizadas por essa via;

Histerectomia vaginal: consiste na retirada do útero por meio do canal vaginal. Esse tipo de procedimento envolve menos tempo de internação no hospital, menos dor pós-operatória e uma recuperação mais rápida. Não existe incisão aparente no abdome e apresenta uma taxa menor de sangramento e de infecção operatória;

Histerectomia laparoscópica: é uma das vias mais avançadas para realização da histerectomia. Realizada através de pequenos cortes no umbigo e na região inguinal da paciente.

Um fino tubo é inserido por meio das incisões, o qual tem em sua ponta uma câmera que possibilita a visualização completa e direta da cavidade do abdome. Geralmente a saída do útero ocorre pelo canal vaginal. É a cirurgia com melhor recuperação pós-operatória da paciente.

Histerectomia por robótica: é baseada nos mesmos conceitos que a histerectomia laparoscópica, porém neste caso é realizada por um sistema moderno em que aparelhos robóticos realizam todo o trabalho. Realizada somente em grandes centros de pesquisa.

Os cuidados pós-operatórios da histerectomia

Após a cirurgia de histerectomia, a equipe médica deverá orientar o uso de medicações para alívio das dores e evitar infecções, como também ajudará no processo de movimentação e reabilitação pós-operatória.

É fundamental seguir todos os conselhos sobre repouso físico e sexual e não ficar acamada por muito tempo na cama, pois sempre existe um risco de desenvolver trombose após cirurgias de médio ou de grande porte.

Nesse período é comum ter corrimento ou sangramento vaginal por alguns dias, sendo indicadoo uso de absorventes higiênicos para evitar situações constrangedoras.

A histerectomia altera permanentemente alguns aspectos da vida e sempre deve ser vista e analisada de uma maneira ponderada. Alguns pontos importantes são:

  • A paciente não terá mais períodos menstruais;
  • Muito possivelmente a mulher sentirá alívio dos sintomas que motivaram a realização da cirurgia;
  • Como não existe mais corpo do útero, a paciente não será capaz de engravidar. Existem alguns estudos sobre transplante de útero, porém ainda são experimentais, não tendo aprovação para sua realização de rotina na prática médica;
  • Caso a histerectomia seja radical, com a remoção de ambos os ovários, a paciente apresentará sintomas da menopausa, tais como o surgimento de fogachos, diminuição da libido, secura vaginal, insônia ou irritabilidade;
  • Se for realizada uma histerectomia parcial, o colo do útero permanece no lugar, ou seja, ainda existirá risco de desenvolver câncer do colo do útero, sendo fundamental manter os exames de Papanicolaou (preventivos) em dia.

A maioria das pacientes tem medo com relação à piora da libido ou da prática na atividade sexual, mas esse fator não é alterado, mantendo a vida ativa e normal nas relações.

Ao se tomar uma decisão pela realização da histerectomia, esteja ciente de todos os possíveis procedimentos e cuidados operatórios.

A confiança no seu ginecologista é fundamental e tenha liberdade para demonstrar todos os seus medos e anseios.





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