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ginecologista

Estatísticas atuais apontam que cerca de 1 a cada 5 mulheres apresentam quadro de abortamento espontâneo antes de completar as primeiras 20 semanas de gestação.

Apesar de existir uma ampla possibilidade de sucesso em gerar o próximo filho após um episódio de aborto espontâneo, o medo e a incerteza sobre o futuro da nova gravidez perpetuam-se na mente das mulheres.

Sabemos que pacientes que têm histórico de aborto anterior, apresentam um risco aumentado de um novo episódio de abortamento e possíveis complicações gestacionais, tais como parto prematuro, maior necessidade de indução de trabalho de parto e hemorragia puerperal.

Diversas questões psicológicas abalam a confiança dos casais, que tendem a se questionar sobre qual é o intervalo ideal para tentar engravidar novamente. Por isso, decidimos abordar esse assunto tão desconcertante e desmistificar alguns conceitos sociais sobre ele.

Na grande maioria das vezes, a causa do abortamento espontâneo permanece desconhecida, o que chamamos de causa idiopática no meio médico.

Dentre as causas identificáveis, destaca-se a malformação cromossômica embrionária durante o processo de divisão celular. Clinicamente representada por um aborto espontâneo ocorrido geralmente antes das 12 semanas de gestação.

A principal malformação cromossômica associada é a trissomia do cromossomo 16. Essas alterações nos cromossomos do embrião podem ocorrer durante o processo de divisão celular, sendo que não necessariamente o pai ou a mãe apresentam alguma alteração em seu cariótipo (exame que analisa os cromossomos de cada indivíduo).

Para confirmar se realmente essa foi a causa do abortamento, é fundamental mandar o produto do aborto para análise citogenética (não apenas para exame anatomopatológico). Além disso, existem outros fatores correlacionados com o surgimento do aborto, principalmente:

  • – Alterações anatômicas do útero: por exemplo, útero septado;
  • – Insuficiência do corpo lúteo;
  • – Causas infecciosas: infecção por Clamídia ou Gonorréia;
  • – Causas orgânicas: miomas uterinos ou pólipos endometriais;
  • – Alterações hormonais: diabetes mellitus descompensada ou hipotireoidismo;
  • – Problemas de coagulação sanguínea: comumente chamadas de trombofilias, podem estar estritamente relacionadas com o surgimento dos abortos de repetição. As pacientes apresentam tendência de hipercoagulação sanguínea, diminuindo o fluxo sanguíneo embrionário.

Caso você tenha apresentado algum episódio de aborto, é fundamental ter uma conversa com seu ginecologista para procurar entender exatamente o motivo pelo qual isso ocorreu.

Lembre-se que nem tudo apresenta uma explicação (causas idiopáticas), porém é fundamental retirar esse peso na consciência e esclarecer todas as suas dúvidas

Escolhemos as perguntas mais frequentes entre nossas seguidoras para poder esmiuçar um pouco mais o assunto:

Como sei se estou sofrendo um aborto espontâneo?

Na maioria dos casos, o aborto é representado pelo atraso menstrual seguido de cólicas abdominais intensas e sangramento vaginal aumentado (podendo surgir coágulos sanguíneos).

Em 85% dos casos, o abortamento ocorre antes da gestação completar 12 semanas (3 meses). Em outros casos,por outro lado, quando não chega a ocorrer o atraso menstrual, o abortamento pode passar desapercebido, como sendo uma menstruação mais intensa.

gravidez após um aborto

Quanto tempo após um aborto eu posso tentar engravidar novamente?

Cada caso é um caso e é importante o diálogo com seu ginecologista para entender melhor o motivo do abortamento. Caso as principais causas do abortamento sejam descartadas, o ideal é aguardar pelo menos um período entre 3 a 6 meses para engravidar novamente.

Obviamente que isso depende de uma série de análises – perfil psicológico do casal, idade da mãe, presença de outras patologias associadas.

Os estudos atuais divergem muito a respeito de qual é o melhor período para tentar engravidar após um processo de aborto. Sabemos que esse período não deve ser muito curto (< 3 meses) e nem muito longo (> 26 meses), pois pode ocorrer um aumento na incidência de um novo episódio de aborto.

Nunca tente engravidar após ter sofrido um aborto, sem antes ter a sua avaliação médica adequada.

Tenho medo de engravidar novamente após o ocorrido. O que posso fazer?

É natural a presença desse temor após o aborto. Algumas dicas podem te ajudar nessa fase:

  • – Converse com seu parceiro sobre o que está sentindo. Procure não se fechar e achar que tem que superar a dor sozinha. Acredite: ele está passando pelo mesmo processo;
  • – Apesar de ser um assunto delicado, saiba conversar sobre o tema não fazendo dele um tabu. O aborto tem alta incidência no Brasil e, muitas vezes, escutar o apoio de entes queridos ajuda muito;
  • – Não se culpe pelo ocorrido: a grandessíssima maioria dos abortos ocorrem independentemente de qualquer atitude do pai ou da mãe;
  • – Passe por uma avaliação médica e converse com seu ginecologista: ele ajudará a te tranquilizar.

Ao engravidar, nenhuma mulher está preparada para uma situação tão delicada como essa, mas é importante adquirir informações sobre todos os possíveis problemas de uma gestação.

O seu conhecimento é fundamental para te trazer paz e harmonia em uma nova tentativa.





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