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Ginecologia

Um quadro de abortamento espontâneo é caracterizado quando ocorre uma perda gestacional de forma espontânea antes da 20ª semana de gravidez ou quando ocorre a perda de um feto com peso menor do que 500 gramas (meio quilograma).

De acordo com especialistas em obstetrícia, o aborto é uma fatalidade que acomete entre 15% a 20% dos casais e é comum principalmente na primeira gestação, sendo que 80-85% dos casos ocorrem antes de 12 semanas.

Infelizmente os especialistas não conseguem caracterizar qual é a principal causa do abortamento (chamadas de causas idiopáticas), porém, dentre as causas identificáveis, as malformações cromossômicas do embrião acabam sendo as grandes responsáveis por esse desfecho.

O abortamento de repetição é caracterizado quando há a ocorrência de três ou mais abortamentos espontâneos consecutivos.

Na prática clínica, a grande maioria dos obstetras acaba pesquisando fatores responsáveis pelo abortamento de repetição a partir do segundo episódio de aborto.

Quais as causas do aborto de repetição?

Existem diferentes causas para o abortamento de repetição, sendo que 50% dos casos ocorrem por motivos desconhecidos (causa idiopática). Dentre as causas conhecidas temos:

  • Genéticas: Um embrião precisa possuir 23 pares de cromossomos para um desenvolvimento natural. Quando ele apresenta cromossomos a mais ou a menos, a gestação pode evoluir para abortamento.
    A principal malformação cromossômica embrionária está correlacionada com a trissomia do cromossomo 16. A malformação genética estrutural está ligada diretamente à idade da mãe, sendo que essas alterações são mais comuns em mulheres acima de 40 anos;
  • Anatômicas: Alterações anatômicas do útero materno (por exemplo: útero septado, útero didelfo, útero bicorno) podem acarretar em um abortamento.
    Mulheres que apresentam miomas com tamanho acima de 4cm ou que afetam a cavidade endometrial (principalmente os miomas submucosos) podem ter a anatomia uterina modificada, aumentando as chances de um aborto espontâneo.
    Além disso, mulheres com pólipos ou portadoras de adenomiose também apresentam maiores chances de abortamento;
  • Trombofilias: são doenças que interferem e afetam a fibrinólise (destruição de coágulos sanguíneos), aumentando os riscos de trombose vascular.
    Dentre as principais doenças, podemos citar a síndrome do anticorpo antifosfolípide (SAAF). Dessa forma, a vascularização sanguínea fica prejudicada, causando abortamento.
    Pacientes portadoras de trombofilias geralmente utilizam medicação anticoagulante para evitar a formação de coágulos sanguíneos durante a gravidez;
  • Endócrinas: os principais distúrbios endocrinológicos estão correlacionados com a diabetes mellitus (Diabetes Gestacional), doenças ligadas à tireoide (hipotireoidismo e hipertireoidismo), insuficiência de corpo lúteo (diminuição da progesterona), entre outras. Vale lembrar que mulheres com histórico de SOP (Síndrome dos Ovários Policísticos) apresentam 44% a mais de chances de desenvolver problemas hormonais ao longo da gestação;
  • Infecciosas: Bactérias provenientes de infecções genitais, como a clamídia e micoplasma, por exemplo, podem afetar a imunologia uterina, aumentando as chances de episódios de abortamentos;
  • Imunológicas: Caracterizada quando o organismo materno passa a produzir anticorpos contra o embrião que está se desenvolvendo. Pode ser dividida em causas autoimunes (quando o organismo materno rejeita as próprias células) e alo-imunes (quando o organismo materno rejeita as células do pai);
  • Hábitos e estilo de vida: Tabagismo, uso de drogas, consumo de bebidas alcoólicas e peso alterado (muito acima ou muito abaixo) aumentam o risco de abortamento espontâneo.

Como o obstetra diagnostica o aborto de repetição?

Para diagnosticar a causa do aborto de repetição, o médico solicitará que o casal se submeta a um exame chamado de cariótipo (para avaliar a contagem e a estrutura dos cromossomos do pai e da mãe), além da coleta de diversos exames de sangue, a fim de identificar a verdadeira causa dos repetidos episódios de aborto.

Apenas um médico obstetra poderá solicitar e avaliar com detalhes o resultado destes exames.

Qual é o tratamento ideal para o aborto de repetição?

O tratamento ideal deve ser orientado pelo especialista levando em consideração a causa específica das perdas gestacionais consecutivas.

A melhor forma de evitar um novo abortamento em gestações futuras pode variar entre mudanças de hábitos, como deixar de fumar e perder peso, por exemplo, ou até mesmo em optar por um tratamento de fertilização in vitro com biópsia de embrião e realização de teste genético pré-implantacional, que possibilita a seleção de embriões saudáveis antes da transferência para o útero materno.

Mesmo após 3 abortos espontâneos consecutivos, a mulher ainda apresenta 70% de chances de uma futura gravidez saudável e com sucesso.

Para isso, o acompanhamento de um especialista em obstetrícia é indispensável. O fundamental nesses casos é estudar com mais profundidade qual é a real causa do abortamento de repetição e traçar um plano de tratamento a partir disso.





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