Select language



FIV para cadeirantes

Os tratamentos de reprodução humana, devido ao avanço da Medicina, têm permitido, cada vez mais, que pessoas com dificuldade para engravidar consigam realizar o sonho de se tornarem pais ou mães. É o caso de homens que, devido uma TRM – trauma raquimedular, são cadeirantes e apresentam alterações nas funções férteis.

Antes de tudo é importante salientar que essa não é uma regra. Existem diversos homens cadeirantes que possuem capacidade fértil e ejeção de sêmen preservadas. No entanto, dependendo da gravidade da lesão medular, essas funções podem ser impactadas. Contudo, um tratamento de fertilização in vitro pode ajudar a realizar o desejo de constituir família.

Como é realizada a FIV para cadeirantes?

Durante um tratamento de fertilização in vitro são coletados os gametas masculinos e femininos dos parceiros para serem fertilizados em laboratório e, então, resultarem em embriões que são transferidos ao útero da futura mãe. A coleta do espermatozoide é realizada por meio de masturbação em clínicas apropriadas.

Na maioria dos casos de pacientes com TRM os homens apresentam problemas ejaculatórios. Para que ocorra a ejaculação, existe um mecanismo que utiliza de dois processos, um é chamado de comando consciente, ele provém do córtex cerebral e é o responsável pelos estímulos, como fantasias, imagens, entre outros. Já o outro é o comando autônomo, que provém de um determinado trecho da medula espinhal (entre as vértebras T10 e S4). Devido às condições do paciente com TRM, esse segundo processo é prejudicado.

No entanto, isso não significa que a função erétil tenha sido perdida, mas apenas a função ejetora do sêmen. Para isso, existem outros métodos de coletar os gametas de pacientes com trauma raquimedular.

FIV permite que cadeirantes sejam pais

Quais são os recursos utilizados para a coleta de gametas de homens com trauma raquimedular?

Existem dois métodos utilizados para conseguir coletar os gametas de pacientes com TRM por meio de ejaculação reflexa, são eles:

  • Vibroestimulação (VE): técnica que utiliza vibradores de alta frequência e amplitude para estimular a pele do genital do paciente e induzi-lo a um reflexo. Esses vibradores são instrumentos específicos que precisam ter um manuseio cauteloso, principalmente devido à baixa sensibilidade da região. Ele simula um estímulo que está inibido pelo comando cerebral. Quando ocorre a ejaculação, o material é coletado e levado para o laboratório para ser utilizado a fresco (ou congelado para uso futuro) na fertilização dos óvulos da parceira. É a técnica mais acessível, visto que não precisa de anestesia ou sedação para ser aplicada, mas sim apenas uma clínica que disponha do aparelho;
  • Eletroejaculação (EEJ): essa técnica é um pouco mais invasiva e, por isso, exige o uso de analgesia geral, visto que ela promove a contração da musculatura responsável pela propulsão do genital masculino e do sêmen por meio de impulsos elétricos intestinais. O procedimento apresenta altas taxas de sucesso, mas com uma qualidade de amostra baixa, que pode prejudicar o manuseio por parte da clínica de reprodução humana. Devido ser invasiva, é comum a substituição pela punção testicular de espermatozoides;

Além desses dois procedimentos, podemos optar pela punção testicular para retirar os espermatozoides diretamente dos testículos dos pacientes:

  • Punção testicular: consiste em um procedimento que permite a retirada dos espermatozoides diretamente dos testículos do paciente utilizando uma agulha. É uma técnica indicada para casos de azoospermia (ausência de espermatozoide no sêmen) que não podem ser revertidos.

A técnica ideal para o caso deve ser avaliada pelo especialista em reprodução humana que acompanha o caso. Após a coleta dos espermatozoides do paciente, os óvulos da parceira são fertilizados em laboratório e depois transferidos ao útero dela, como em uma FIV convencional.

Agendar




Deixe um comentário