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16
jul
2015

Cistos ovarianos

cistos ovarianos

Os cistos de ovário constituem o grupo mais comum de alterações detectadas em exames ultrassonográficos de rotina entre mulheres com faixa etária na idade reprodutiva, ou seja, desde o início do período menstrual (menarca) até a menopausa.

Existem diversos tipos de cistos ovarianos, tanto de origem benigna como maligna e, por isso, é fundamental avaliar todas as características do cisto ovariano antes de indicar qualquer tipo de tratamento.

Eles podem ser uni ou bilaterais (acometem apenas um ou ambos os ovários) e apresentam dimensões muito variadas, desde pequenos cistos foliculares até tumores malignos de grandes dimensões.

A grande maioria dos cistos desaparece espontaneamente em cerca de 2-3 meses e não chega a causar complicações. Entretanto, quando atingem uma dimensão aumentada, podem causar alguns sintomas, tais como:

  • Dor durante a relação sexual;
  • Distensão abdominal;
  • Sensação de pressão abdominal;
  • Aumento da frequência miccional;
  • Náuseas ou vômitos;
  • Dor ou desconforto na região abdominal;
  • Sangramento vaginal fora do período menstrual (a depender da origem do cisto);

Durante o ciclo menstrual é comum ocorrerem certas alterações hormonais que estimulam o crescimento de um folículo ovariano (que contém o óvulo em seu interior) até o momento da sua ruptura com consequente liberação do óvulo.

Entretanto, caso algum folículo cresça e não apresente a ruptura correta (gerando acúmulo de líquido em seu interior), ocorre a formação do cisto folicular.

Vale lembrar que para ser considerado cisto é necessário que a dimensão desse folículo não rompido seja maior do que 3 cm. Geralmente os cistos foliculares são pequenos e não passam de 8 cm de diâmetro.

Eles não costumam causar muitos sintomas e acabam sendo detectados em exames de rotina. Caso ocorra a ruptura do cisto folicular (incomum), pode surgir um quadro de dor abdominal súbita e mais intensa.

Como já foi dito anteriormente, esses cistos tendem a regredir em cerca de 2-3 meses. Os cistos foliculares são os mais frequentes dentre todos os outros.

Quais são os outros tipos de cistos ovarianos?

Apesar do cisto funcional folicular ser o mais comum, há outros tipos de cistos ovarianos, tais como:

  1. Cisto dermóide ou teratoma ovariano:
    É um cisto que deriva do crescimento de células de origem germinativa, ou seja, caracteriza-se por apresentar diversos elementos em sua composição, como por exemplo: cartilagem, ossos, dentes, áreas de calcificação ou folículos pilosos (cabelo – sim, isso mesmo). Cerca de 80% desses cistos ocorrem durante a idade reprodutiva, sendo muito comuns em pacientes jovens. Em raros casos esse cisto pode se tornar maligno, porém é fundamental realizar a retirada do mesmo devido ao risco de torção ovariana existente (esses cistos tendem a serem mais pesados e podem fazer com que ocorra uma rotação do eixo ovariano).
  2. Endometrioma:
    A endometriose é uma doença inflamatória crônica que pode acometer diversas regiões, dentre elas os ovários. A partir dessa alteração (endometriose ovariana), ocorre o surgimento de cistos com conteúdo sanguinolento espessado e de coloração escurecida (semelhante a coloração da calda de chocolate). O endometrioma costuma causar cólicas abdominais e principalmente dor durante a relação sexual. Em pacientes jovens e que almejam obter a gravidez é fundamental realizar o tratamento dos endometriomas para evitar a piora da função ovariana.
  1. Cistoadenoma:
    É um cisto ovariano derivado do crescimento de células de origem epitelial e corresponde a neoplasia benigna mais comum do ovário. Ele tende a apresentar grandes dimensões, podendo atingir cerca de 20 cm de diâmetro. Diferentemente de outros tipos, ele não desaparece sozinho, precisando de um tratamento cirúrgico para a sua retirada.

Quais são os tratamentos disponíveis para o cisto ovariano?

Normalmente os cistos ovarianos costumam desaparecer espontaneamente, mas quando isso não acontece ou quando é seguido de algum sintoma ou ainda quando existe alguma suspeita de malignidade é necessário fazer a retirada do mesmo por meio de tratamento cirúrgico.

O ginecologista que deverá avaliar o exame ultrassonográfico e definir, a partir da queixa e do exame físico da paciente, qual será a melhor opção de tratamento:

  1. Laparoscopia: é o método cirúrgico mais utilizado atualmente para retirada do cisto. Por meio de pequenos cortes na região umbilical e na região inguinal é possível realizar a avaliação completa da cavidade abdominal. A recuperação pós-operatória é mais rápida e gera menos dor. É muito indicado nos casos de pacientes que desejam preservar a fertilidade, possibilitando a retirada da menor quantidade de tecido ovariano sadio ao redor do cisto.
  2. Laparotomia: método cirúrgico reservado para pacientes que apresentam quadros de urgência ginecológica. Principalmente indicada nos casos de torção ovariana ou ruptura hemorrágica do cisto. Também é indicada nos casos de cistos ovarianos sólidos de grandes dimensões (que impossibilitam a correta avaliação da cavidade abdominal por meio da laparoscopia).

O uso de alguns métodos anticoncepcionais ajuda a inibir a formação de determinados cistos ovarianos, principalmente os cistos foliculares ou os cistos de corpo lúteo, que podem surgir após a liberação do óvulo.

Para começar a utilizar o método anticoncepcional é fundamental a avaliação prévia de seu ginecologista. O uso de hormônios apresenta diversas contraindicações e deve ser acompanhado de perto por um médico.

É importante ressaltar que o tamanho do cisto não está necessariamente relacionado a um risco maior de malignidade.

Eles podem ser benignos ou malignos, independentemente do tamanho apresentado. Por isso, a avaliação dos exames de imagem é fundamental para diagnosticar e embasar o melhor tipo de tratamento em cada caso.

gravidez com cisto no ovário

Posso engravidar com um cisto no ovário?

Antes de responder essa pergunta é fundamental ter a noção de que os cistos ovarianos apresentam diversas origens e, portanto, é necessário saber sobre qual tipo de cisto a paciente é portadora.

Os cistos foliculares são funcionais, ou seja, decorrem de uma alteração folicular e não configuram um risco aumentado de infertilidade.

Entretanto, o endometrioma indica que a paciente é portadora de endometriose em estágio mais avançado, podendo apresentar infertilidade.

O mais importante é instituir um diagnóstico e tratamento precoce. Mesmo que seja necessária a retirada do cisto ovariano, isso não indica que a paciente apresentará infertilidade.

O fundamental é tentar preservar o máximo possível de tecido ovariano sadio para que a paciente apresente o mínimo de perda de seu potencial fértil.

Se você tem o diagnóstico de um cisto no ovário, não deixe de fazer o acompanhamento médico regular. Não faça um pequeno problema se tornar maior do que ele realmente é.

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